Violência Sexual: Conduta Pós-Exposição e Profilaxia

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 18 anos refere ter sofrido violência sexual com penetração vaginal há cinco dias por um desconhecido. Não realizou boletim de ocorrência (BO) e só procurou atendimento médico hoje. Não sabe informar sobre a situação vacinal. Refere menstruação há 10 dias e não faz uso de anticoncepcional. Além da solicitação das sorologias (sífilis, HIV e hepatite B), a conduta imediata é administrar

Alternativas

  1. A) contracepção de emergência, profilaxia contra ISTs não virais, primeira dose da vacina para hepatite B, profilaxia para HIV e sugestão de realização do BO.
  2. B) profilaxia contra ISTs não virais, imunoglobulina anti- -hepatite B, notificação compulsória e orientação sobre a possibilidade de gravidez.
  3. C) primeira dose da vacina para hepatite B, profilaxia para HIV, realização de notificação compulsória, orientação sobre a possibilidade de gravidez e da realização do BO.
  4. D) contracepção de emergência, profilaxia contra ISTs não virais, imunoglobulina anti-hepatite B e realização de notificação compulsória.

Pérola Clínica

Violência sexual >72h: HIV PEP não indicada. HBIG + vacina se status HBV desconhecido/não vacinada.

Resumo-Chave

A profilaxia pós-exposição para HIV tem uma janela de eficácia de até 72 horas. Após esse período, sua indicação é questionável. Para hepatite B, se o status vacinal for desconhecido ou incompleto, a imunoglobulina e a vacina devem ser administradas. A notificação compulsória é obrigatória e a orientação sobre gravidez é fundamental.

Contexto Educacional

O atendimento à vítima de violência sexual é uma emergência médica que exige uma abordagem multidisciplinar e humanizada. É fundamental oferecer suporte psicológico, realizar a coleta de vestígios (se aplicável e consentido) e, principalmente, iniciar as profilaxias adequadas para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez indesejada. A notificação compulsória é um dever legal e ético do profissional de saúde, visando à vigilância epidemiológica e à proteção da vítima. A conduta imediata deve considerar o tempo decorrido desde a exposição. A profilaxia para HIV é eficaz apenas se iniciada em até 72 horas. Para hepatite B, a imunoglobulina e a vacina são cruciais se o status vacinal for desconhecido ou incompleto. A contracepção de emergência pode ser utilizada em até 5 dias (120 horas) após a relação sexual desprotegida. A profilaxia para ISTs não virais (gonorreia, clamídia, sífilis, tricomoníase) deve ser sempre administrada, independentemente do tempo. É essencial orientar a paciente sobre a possibilidade de gravidez, a importância do acompanhamento sorológico e a disponibilidade de apoio psicossocial e jurídico. A abordagem deve ser centrada na vítima, respeitando sua autonomia e oferecendo todas as informações e opções disponíveis para garantir sua saúde física e mental a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Qual o prazo máximo para iniciar a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV após violência sexual?

A profilaxia pós-exposição para HIV deve ser iniciada idealmente nas primeiras 2 horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição. Após esse período, sua eficácia é significativamente reduzida e geralmente não é indicada.

Quando a imunoglobulina anti-hepatite B é indicada após violência sexual?

A imunoglobulina anti-hepatite B é indicada para vítimas de violência sexual com status vacinal desconhecido ou não vacinadas contra hepatite B, em conjunto com a primeira dose da vacina, para conferir proteção imediata.

Quais são as principais medidas de profilaxia para ISTs não virais após violência sexual?

As principais medidas incluem o uso de antibióticos para cobrir clamídia, gonorreia e sífilis. Geralmente, são utilizados ceftriaxona intramuscular, azitromicina oral e metronidazol oral ou tinidazol oral, conforme os protocolos locais.

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