MedEvo Simulado — Prova 2026
Mariana, uma jovem de 22 anos, procura a unidade de pronto atendimento acompanhada por uma amiga, relatando ter sido vítima de agressão sexual com penetração vaginal há cerca de 10 horas. Ela informa que o agressor era um desconhecido e não utilizou preservativo. A paciente está visivelmente angustiada, chorosa e apresenta escoriações leves nos braços. Diante do quadro clínico e dos aspectos ético-legais que regem o atendimento a vítimas de violência sexual, qual a conduta imediata mais adequada a ser adotada pela equipe de saúde?
Violência sexual → Acolhimento + Profilaxias (IST/Gravidez) + Coleta vestígios (se consentido), SEM BO/IML obrigatórios.
O atendimento médico a vítimas de violência sexual é uma emergência que prioriza a saúde e a autonomia da paciente, sendo independente de qualquer registro policial ou judicial.
O atendimento a vítimas de violência sexual exige uma abordagem multidisciplinar e humanizada. Clinicamente, o foco inicial é a redução de danos biológicos através da profilaxia de ISTs e gravidez indesejada. A PEP para HIV utiliza tenofovir, lamivudina e dolutegravir por 28 dias. A anticoncepção de emergência é mandatória em mulheres em idade fértil que sofreram penetração vaginal sem proteção. Do ponto de vista ético-legal, a Lei nº 12.845/2013 (Lei do Minuto Seguinte) garante o atendimento obrigatório e gratuito em todos os hospitais do SUS. A coleta de vestígios biológicos para fins forenses deve ser oferecida e realizada por profissionais capacitados, mas apenas mediante o consentimento livre e esclarecido da vítima, respeitando sua autonomia e privacidade.
Não. O atendimento médico a vítimas de violência sexual é um direito garantido por lei e deve ser realizado de forma imediata e humanizada, independentemente da apresentação de Boletim de Ocorrência (BO) ou de qualquer outra formalidade policial. O médico deve priorizar a saúde física e mental da paciente, oferecendo as profilaxias necessárias e a coleta de vestígios se houver consentimento, sem exigir que a paciente denuncie o agressor para receber o cuidado.
A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) para o HIV deve ser iniciada o mais precocemente possível, preferencialmente nas primeiras 2 horas após a exposição, com um limite máximo de 72 horas. Para a anticoncepção de emergência (geralmente Levonorgestrel 1,5mg), a eficácia é maior se administrada nas primeiras 72 horas, embora possa ser considerada até 5 dias (120 horas) após o coito desprotegido, dependendo do protocolo institucional.
O protocolo padrão do Ministério da Saúde recomenda a profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não virais, incluindo: Ceftriaxona (dose única IM) para Gonorreia, Azitromicina (dose única VO) para Clamídia, e Metronidazol (dose única VO) para Tricomoníase. Além disso, deve-se avaliar a necessidade de vacinação e imunoglobulina para Hepatite B e vacinação contra o HPV, conforme o status vacinal da paciente.
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