HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023
Mulher de 28 anos de idade procura unidade de emergência, relatando história de violência sexual. Refere que estava em uma festa na noite anterior e que, após a ingesta de uma bebida, não se lembra mais do que aconteceu. Após isto, relatou que acordou em um quarto de motel sozinha, apresentando sangramento genital e equimoses no pescoço.Após o acolhimento do caso de forma empática e humanizada, além de encaminhar a paciente para seguimento do cuidado de maneira multidisciplinar com envolvimento de assistente social, enfermagem e psicologia, quais são as condutas que devem ser tomadas pelo médico?
Violência sexual: PPE para HIV, hepatite B, sífilis, clamídia/gonorreia + anticoncepção de emergência + notificação + acolhimento.
O atendimento à vítima de violência sexual deve ser imediato, humanizado e multidisciplinar, focando na prevenção de ISTs e gravidez indesejada. A profilaxia pós-exposição (PPE) para HIV e outras ISTs, juntamente com a anticoncepção de emergência, são pilares da conduta médica, independentemente da realização de boletim de ocorrência.
O atendimento à vítima de violência sexual é uma emergência médica que exige uma abordagem empática, humanizada e multidisciplinar. A violência sexual é uma grave violação dos direitos humanos e tem profundas consequências físicas e psicológicas. A importância clínica reside na prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), gravidez indesejada e no suporte psicossocial à vítima. A epidemiologia da violência sexual é alarmante, com altas taxas de subnotificação, tornando o papel do profissional de saúde crucial no acolhimento e na garantia de acesso aos cuidados. As condutas médicas imediatas incluem a realização de exame ginecológico (com coleta de material para exames forenses, se a vítima consentir e desejar), solicitação de sorologias para ISTs (para baseline e acompanhamento), e a administração de profilaxias. A profilaxia pós-exposição (PPE) para HIV deve ser iniciada em até 72 horas, idealmente nas primeiras 2 horas. A profilaxia para hepatite B (vacina e imunoglobulina, se necessário), sífilis (dose única de penicilina benzatina) e para clamídia/gonorreia (azitromicina e ceftriaxona) também são essenciais. A anticoncepção de emergência deve ser oferecida e administrada o mais rápido possível. Além disso, a notificação compulsória do caso é uma obrigação legal e epidemiológica, independentemente da vontade da vítima de registrar boletim de ocorrência. O tratamento e o seguimento envolvem acompanhamento sorológico para ISTs, suporte psicológico e social, e reavaliação da necessidade de profilaxias. O prognóstico a longo prazo é influenciado pelo suporte recebido e pela presença de complicações físicas ou psicológicas. Pontos de atenção incluem a confidencialidade, o respeito à autonomia da vítima e a garantia de que todas as informações e opções de tratamento sejam claramente explicadas. A equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, é fundamental para um cuidado integral.
A profilaxia para HIV deve ser iniciada o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras 2 horas após a exposição, e é eficaz se iniciada em até 72 horas. Após esse período, sua eficácia diminui consideravelmente.
Sim, a anticoncepção de emergência deve ser oferecida a todas as vítimas de violência sexual em idade fértil, independentemente do uso prévio de outros métodos contraceptivos, para prevenir gravidez indesejada. O ideal é administrá-la em até 72 horas, mas pode ser eficaz até 120 horas após a exposição.
Não, o atendimento médico de urgência e as profilaxias para ISTs e gravidez devem ser iniciados imediatamente, sem a necessidade de aguardar a realização de boletim de ocorrência. A decisão de registrar a ocorrência é da vítima e não deve atrasar o cuidado de saúde.
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