HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025
Mulher, de 22 anos de idade, procura a Unidade Básica de Saúde um dia após ter sofrido violência sexual. Ela relata que o incidente ocorreu na noite anterior, quando foi abordada pelo agressor enquanto caminhava para casa. A paciente apresentase visivelmente abalada, com sinais de ansiedade e tristeza. Ao exame físico, não há sinais evidentes de lesões físicas, mas a paciente relata dor na região pélvica. Ela menciona que o agressor não utilizou preservativo. A paciente não tem histórico de infecções sexualmente transmissíveis conhecidas e seu último exame ginecológico foi realizado há seis meses, com resultados normais. Ela não faz uso de contraceptivos regulares e está preocupada com a possibilidade de uma gravidez indesejada e infecções. Qual é a conduta inicial a seguir, considerando as medidas de atendimento e contracepção de emergência para esta paciente?
Violência sexual: Acolhimento + Contracepção de emergência (levonorgestrel) imediata é a conduta inicial prioritária.
Diante de uma vítima de violência sexual, a conduta inicial deve ser imediata e humanizada. Após a escuta empática e o acolhimento psicológico, a prioridade é oferecer a contracepção de emergência, preferencialmente com levonorgestrel, o mais rápido possível para maximizar sua eficácia na prevenção de uma gravidez indesejada. Outras medidas, como profilaxia de ISTs e HIV, também devem ser consideradas e iniciadas o quanto antes.
O atendimento à vítima de violência sexual é uma situação de emergência que exige uma abordagem multidisciplinar, humanizada e ágil. A violência sexual é um grave problema de saúde pública, com profundas consequências físicas, psicológicas e sociais para a vítima. É fundamental que os profissionais de saúde estejam preparados para oferecer um cuidado integral e respeitoso, garantindo a privacidade e a autonomia da pessoa agredida. A conduta inicial deve priorizar o acolhimento psicológico e a escuta empática, criando um ambiente seguro para a vítima. Após essa etapa, as medidas de prevenção de agravos à saúde devem ser iniciadas o mais rapidamente possível. A contracepção de emergência é uma das intervenções mais urgentes, visando prevenir uma gravidez indesejada. O levonorgestrel é o método de escolha, e sua eficácia é maior quanto menor o tempo decorrido entre a violência e a administração. O prazo máximo para sua utilização é de 120 horas (5 dias), mas o ideal é que seja administrado nas primeiras 72 horas. Além da contracepção, o protocolo de atendimento inclui a profilaxia para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como HIV, sífilis, gonorreia e clamídia, e a imunoprofilaxia para hepatite B e tétano, se necessário. A coleta de exames para detecção de ISTs e gravidez também faz parte do protocolo, assim como o encaminhamento para acompanhamento psicológico e social. É crucial que o atendimento seja oferecido independentemente da decisão da vítima em registrar um boletim de ocorrência, garantindo o direito à saúde e à dignidade.
A escuta empática e o acolhimento psicológico são cruciais para estabelecer um vínculo de confiança com a vítima, minimizar o trauma e permitir que ela se sinta segura para relatar o ocorrido e aceitar as intervenções médicas e psicossociais necessárias.
O levonorgestrel é mais eficaz quanto antes for administrado, idealmente nas primeiras 72 horas (3 dias) após a relação sexual desprotegida, mas pode ser utilizado com alguma eficácia até 120 horas (5 dias). A dose recomendada é de 1,5 mg em dose única ou 0,75 mg com intervalo de 12 horas.
Além da contracepção de emergência, deve-se considerar a profilaxia para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, sífilis, clamídia e gonorreia. A profilaxia para hepatite B também pode ser indicada, dependendo do status vacinal da vítima e do agressor.
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