Abuso Sexual: Conduta Médica no Pronto Socorro

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 23 anos, foi agredida e sofreu abuso sexual ao sair do trabalho em direção à sua residência. Sofreu penetração vaginal e anal e foi levada por terceiros diretamente ao pronto socorro. A conduta correta nesse caso é

Alternativas

  1. A) ser examinada preferencialmente por uma médica mulher, mesmo que não seja ginecologista, para minimizar o constrangimento da vítima.
  2. B) receber dose única vacinal para hepatite B, mesmo que refira esquema vacinal completo, porém desconhece o status sorológico pós-vacinação.
  3. C) indicar a realização do boletim de ocorrência antes do atendimento ginecológico para a possibilidade de coleta de vestígio de violência sexual.
  4. D) realizar preenchimento da ficha de notificação/investigação individual de violência doméstica, sexual e/ou outras violências interpessoais, pela vítima, antes do atendimento ginecológico.
  5. E) Iniciar a profilaxia para IST/AIDS, hepatite B e gestação em até 96 horas após a violência sexual.

Pérola Clínica

Abuso sexual: Iniciar profilaxia IST/AIDS/gestação e vacina Hepatite B (se status desconhecido) em até 72h.

Resumo-Chave

No atendimento à vítima de abuso sexual, a profilaxia para ISTs (incluindo HIV e Hepatite B) e gestação deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente em até 72 horas. A vacinação contra Hepatite B é indicada se o status vacinal ou sorológico for incerto, mesmo com histórico de vacinação.

Contexto Educacional

O atendimento à vítima de violência sexual no pronto socorro é uma emergência médica que exige uma abordagem multidisciplinar, humanizada e ágil. O foco principal é a prevenção de desfechos negativos como infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), gravidez indesejada e traumas psicológicos. A prioridade é o acolhimento da vítima, garantindo sua segurança e privacidade, e a oferta de todas as profilaxias necessárias dentro do tempo hábil. A profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras 2 horas e, no máximo, em até 72 horas após a exposição. A anticoncepção de emergência (AE) é eficaz se administrada em até 72-120 horas, dependendo do método. A vacinação contra Hepatite B é crucial se o status vacinal ou sorológico for desconhecido ou incompleto. Além disso, profilaxia para sífilis, gonorreia e clamídia é rotineiramente indicada. A coleta de vestígios para fins forenses deve ser realizada com consentimento e por equipe treinada, sem atrasar o atendimento médico. A notificação compulsória da violência é obrigatória, mas deve ser feita de forma a proteger a vítima e sem condicionar o atendimento. O suporte psicossocial é fundamental desde o primeiro contato e deve ser continuado. É importante lembrar que a vítima tem o direito de recusar qualquer procedimento, e o profissional deve respeitar sua autonomia, oferecendo informações claras e apoio.

Perguntas Frequentes

Qual o prazo ideal para iniciar a profilaxia pós-exposição (PEP) após abuso sexual?

A profilaxia pós-exposição para HIV e outras ISTs deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 72 horas após a violência sexual, pois sua eficácia diminui significativamente após esse período.

Por que a vacina para Hepatite B é indicada mesmo com esquema vacinal prévio incerto?

A vacina para Hepatite B é indicada se o esquema vacinal for desconhecido ou incompleto, ou se o status sorológico pós-vacinação não for comprovado, devido ao alto risco de transmissão e à possibilidade de falha vacinal ou ausência de soroconversão.

Quais são os passos iniciais no atendimento à vítima de violência sexual no pronto socorro?

Os passos iniciais incluem acolhimento humanizado, avaliação clínica e psicológica, profilaxia para ISTs (HIV, sífilis, gonorreia, clamídia), anticoncepção de emergência, vacinação (Hepatite B, tétano), coleta de vestígios (se houver consentimento e dentro do prazo), e notificação compulsória.

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