Trauma Pélvico e Abdominal: Manejo Essencial no Traumatizado

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2021

Enunciado

Considerando o atendimento ao paciente traumatizado em caráter pré-hospitalar e medidas a serem utilizadas na unidade hospitalar segundo a 10ª edição do ATLS (Advanced Trauma Life Suport) e 9ª edição do PHTLS (Pre Hospitalar Trauma Life Suport) marque a assertiva CORRETA.

Alternativas

  1. A) No protocolo inicial de atendimento foi observado que apesar das atenções iniciais nos últimos dois anos terem sido direcionadas para contenção de grandes sangramentos em detrimento da avaliação inicial de vias aéreas como o reconhecido ABCDE do trauma, dados recentes demonstraram que a perda sanguínea não interfere na resposta inicial do corpo ao trauma e coagulação.
  2. B) O choque hemorrágico configura a causa mais comum de óbito no paciente traumatizado e deve-se estimar primeiro a perda sanguínea classificando a classe do choque para posteriormente iniciar reposição volêmica. Exemplo: estima-se que 7% do peso do adulto seria de volume sanguíneo e para a criança de 8 a 9%.
  3. C) O atendimento ao idoso traumatizado tem particularidades considerando as comorbidades possíveis e a determinação da perfusão tecidual pode ser difícil, necessitando da análise de vários parâmetros e até uso precoce de monitorização invasiva, ecocardiograma, por exemplo, considerando a possibilidade de cardiopatia de base que poderia ter gerado o trauma inicial. Deve-se levar em conta também o uso de anticoagulantes, apesar de que no idoso o hematoma epidural não apresenta grande incidência após trauma craniano pois a dura não se encontra tão aderida ao crânio como no jovem.
  4. D) O trauma abdominal fechado pode ocorrer em acidentes envolvendo colisões com motociclistas e na avaliação inicial o achado de lesão de vísceras sólidas não implica necessariamente laparotomia exploradora imediata caso haja estabilidade hemodinâmica. Entretanto, o achado de trauma pélvico após a colisão necessita de atenção redobrada pelo risco de rotura de plenos venosos, lesão de bexiga e uretra e a instabilidade hemodinâmica é indicativa de provável sangramento oculto, devendo então a pelve ser estabilizada, mesmo com uso de lençol ao nível dos trocânteres para redução do sangramento.

Pérola Clínica

Trauma pélvico instável → estabilização imediata (lençol trocânteres) para controlar sangramento oculto.

Resumo-Chave

Em trauma abdominal fechado, lesões de vísceras sólidas em pacientes hemodinamicamente estáveis podem ser manejadas conservadoramente. O trauma pélvico, contudo, exige atenção máxima devido ao alto risco de sangramento oculto e instabilidade hemodinâmica, sendo a estabilização pélvica uma medida vital.

Contexto Educacional

O atendimento ao paciente traumatizado segue protocolos padronizados como o ATLS (Advanced Trauma Life Support) e PHTLS (Prehospital Trauma Life Support), que priorizam a identificação e tratamento rápido de condições com risco de vida. A avaliação inicial foca na via aérea, respiração, circulação, disfunção neurológica e exposição, com ênfase crescente no controle de hemorragias massivas. No trauma abdominal fechado, a presença de lesões em vísceras sólidas, como baço ou fígado, não implica necessariamente em laparotomia exploradora imediata. Pacientes hemodinamicamente estáveis podem ser candidatos a manejo não operatório, com monitorização rigorosa e exames de imagem seriados. Essa abordagem visa reduzir a morbidade associada a cirurgias desnecessárias. O trauma pélvico, por outro lado, é uma condição de alta gravidade devido ao grande potencial de sangramento oculto de plexos venosos e lesões associadas (bexiga, uretra). A instabilidade hemodinâmica em um paciente com trauma pélvico é um forte indicativo de hemorragia significativa. A estabilização imediata da pelve, utilizando um lençol ou cinto pélvico ao nível dos trocânteres maiores, é uma medida salvadora para reduzir o volume pélvico e tamponar o sangramento, sendo crucial no manejo inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da estabilização pélvica no paciente traumatizado?

A estabilização pélvica é crucial para reduzir o volume da pelve e tamponar o sangramento de plexos venosos, que são a principal fonte de hemorragia em fraturas pélvicas instáveis, prevenindo o choque hemorrágico.

Quando a lesão de víscera sólida em trauma abdominal fechado não exige laparotomia imediata?

Lesões de vísceras sólidas (como fígado ou baço) em trauma abdominal fechado não exigem laparotomia imediata se o paciente estiver hemodinamicamente estável e não houver sinais de peritonite, permitindo manejo não operatório.

Quais são as particularidades do atendimento ao idoso traumatizado?

Idosos traumatizados têm maior risco de descompensação devido a comorbidades, uso de medicações (ex: anticoagulantes) e menor reserva fisiológica, exigindo avaliação cuidadosa da perfusão e monitorização precoce.

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