Trauma Grave: Prioridades no Atendimento e Manejo Inicial

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2015

Enunciado

O médico encontra-se diante de um paciente de 25 anos, atendido pela Unidade do SAMU, com estória de atropelamento há duas horas, apresentando, no local do acidente, fratura exposta de fêmur direito, via aérea pérvea, coluna cervical sem colar, murmúrio vesicular diminuído em terço médio e inferior do hemitórax direito, SatO₂ = 96%, frequência cardíaca de 110 bpm, pressão arterial de 110 x 60 mmHg, Glasgow = 6. Nesse caso, a primeira conduta a ser realizada é:

Alternativas

  1. A) Estabilizar a coluna cervical com colar cervical e administrar 2000 ml de solução fisiológica aquecida.
  2. B) Realizar entubação orotraqueal e estabilizar a coluna cervical com colar cervical.
  3. C) Realizar punção de alívio em hemitórax direito e estabilizar a fratura da tíbia direita.
  4. D) Administrar 2000 ml de solução fisiológica aquecida e realizar punção de alívio em hemitórax direito.

Pérola Clínica

Trauma grave com Glasgow ≤ 8 → Intubação orotraqueal e estabilização cervical imediata.

Resumo-Chave

Em um paciente politraumatizado com Escala de Coma de Glasgow (ECG) de 6, a prioridade é proteger a via aérea e a coluna cervical. A intubação orotraqueal é indicada para Glasgow ≤ 8, garantindo a permeabilidade da via aérea e prevenindo broncoaspiração, enquanto a estabilização cervical é fundamental para evitar lesões medulares.

Contexto Educacional

O atendimento ao paciente traumatizado segue uma sequência padronizada, o ABCDE do trauma, onde a prioridade é sempre a manutenção da vida. A avaliação inicial foca na via aérea (A), respiração (B), circulação (C), disfunção neurológica (D) e exposição (E). Neste caso, o paciente apresenta um Glasgow de 6, o que indica um trauma cranioencefálico grave e a incapacidade de proteger a própria via aérea. A primeira conduta, portanto, deve ser a proteção da via aérea, que é realizada através da intubação orotraqueal para garantir a oxigenação e ventilação adequadas, além de prevenir a broncoaspiração. Concomitantemente, a estabilização da coluna cervical com colar é imperativa, pois o mecanismo de trauma (atropelamento) e o baixo nível de consciência aumentam o risco de lesão medular, que deve ser presumida até prova em contrário. Outras condutas, como a reposição volêmica ou o manejo da fratura, embora importantes, são secundárias à garantia da via aérea e da proteção cervical. O murmúrio vesicular diminuído no hemitórax direito sugere um possível pneumotórax ou hemotórax, que será abordado após a estabilização das prioridades A e C (circulação, que inclui o choque). A sequência do ABCDE é crucial para a sobrevida do paciente politraumatizado.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da Escala de Coma de Glasgow (ECG) no trauma?

A ECG avalia o nível de consciência do paciente traumatizado, sendo um indicador crucial para determinar a necessidade de proteção de via aérea e o prognóstico neurológico. Um Glasgow ≤ 8 indica trauma cranioencefálico grave e necessidade de intubação.

Por que a estabilização da coluna cervical é uma prioridade no trauma?

A estabilização da coluna cervical é vital para prevenir ou minimizar lesões medulares secundárias em pacientes com trauma, especialmente aqueles com mecanismo de trauma de alta energia ou alteração do nível de consciência.

Quando a intubação orotraqueal é indicada em um paciente traumatizado?

A intubação é indicada em pacientes com Glasgow ≤ 8, insuficiência respiratória, incapacidade de proteger a via aérea (ex: sangramento, vômito), ou risco iminente de obstrução da via aérea.

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