Atendimento Pré-Hospitalar: Conduta Inicial no Trauma

UNCISAL - Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 25 anos sofreu acidente automobilístico, colisão carro x carro frontal. Ficou preso nas ferragens e os bombeiros já haviam efetuado a extricação do paciente. Ao chegar ao local a equipe do SAMU encontrou o paciente com sangramento em toda a face, abertura ocular espontânea, respondendo de forma desconexa às solicitações verbais, sem movimentar os membros inferiores e localizava a dor. Ventilação bilateral, pulso cheio e enchimento capilar < que 2”. Responda as questões de acordo com o caso acima: Qual a conduta mais adequada do pré – hospitalar?

Alternativas

  1. A) Limpar o ferimento da face
  2. B) Máscara de 02
  3. C) Avaliar vias aéreas, imoblização padrão
  4. D) Avaliar vias aéreas, suplementação de O2, acesso venoso, imobilização padrão.
  5. E) Providenciar via aérea definitiva

Pérola Clínica

Trauma → ABCDE: Via aérea + proteção cervical + O2 + acesso venoso + imobilização.

Resumo-Chave

No atendimento pré-hospitalar (APH), a prioridade absoluta é a execução sistemática do ABCDE, garantindo a patência das vias aéreas com controle cervical e estabilização hemodinâmica antes de qualquer cuidado com feridas periféricas.

Contexto Educacional

O atendimento pré-hospitalar moderno baseia-se na filosofia de 'load and go' (carregar e ir) para pacientes críticos, realizando apenas intervenções essenciais que salvam vidas no local. O protocolo ABCDE é a espinha dorsal desse atendimento. A avaliação da via aérea com controle cervical é o primeiro passo, seguido pela garantia de oxigenação adequada. Em colisões frontais com vítimas presas em ferragens, o índice de suspeição para lesões de coluna cervical e trauma torácico é alto. A imobilização padrão (colar cervical e prancha rígida, embora esta última tenha indicações mais restritas atualmente) visa prevenir lesões medulares secundárias. O acesso venoso periférico deve ser estabelecido para infusão criteriosa de fluidos, se necessário, mantendo a perfusão tecidual sem exacerbar sangramentos por hipertensão volêmica.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no atendimento pré-hospitalar de trauma facial?

A prioridade no trauma facial, assim como em qualquer trauma multissistêmico, segue rigorosamente o protocolo ABCDE. No 'A' (Airway), deve-se garantir a patência da via aérea, que pode estar comprometida por sangue, secreções ou fraturas ósseas, sempre mantendo a estabilização manual da coluna cervical seguida da colocação do colar. No 'B' (Breathing), avalia-se a ventilação e oferta-se oxigênio suplementar para manter a saturação adequada. O sangramento facial, embora visualmente impactante, só é abordado prioritariamente se causar obstrução de via aérea ou se for uma hemorragia externa exanguinante (XABCDE), caso contrário, o foco permanece na estabilização sistêmica e transporte rápido.

Como calcular o Glasgow neste paciente?

O paciente apresenta abertura ocular espontânea (4 pontos), resposta verbal desconexa/confusa (4 pontos) e localiza a dor (5 pontos), totalizando um Glasgow de 13. Nota: O enunciado menciona 'respondendo de forma desconexa', o que na escala de Glasgow clássica pontua como 4 (confuso). Se a resposta fosse totalmente sem nexo (palavras inapropriadas), seria 3. A localização da dor indica que o nível neurológico motor está preservado acima dos reflexos de retirada. Este escore classifica o Trauma Cranioencefálico (TCE) como leve (13-15), mas a cinemática e o sangramento facial exigem vigilância rigorosa para deterioração neurológica.

Quando indicar via aérea definitiva no pré-hospitalar?

A via aérea definitiva (intubação orotraqueal ou cricotiroidostomia) é indicada no APH em situações específicas: Escala de Coma de Glasgow ≤ 8, perda de patência por obstrução (edema, sangue, trauma laringotraqueal), hipoxemia persistente mesmo com O2 suplementar, ou agitação psicomotora extrema que impeça o transporte seguro. No caso descrito, o paciente tem Glasgow 13, ventilação bilateral e enchimento capilar normal, não preenchendo critérios imediatos para via aérea definitiva, sendo a suplementação de oxigênio por máscara e monitorização a conduta inicial mais adequada enquanto se prepara para o transporte.

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