Trauma Grave: Prioridade na Via Aérea Definitiva

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 24 anos de idade, vítima de trauma moto versus auto, é levado ao Pronto Socorro pelo resgate, com colar cervical e prancha rígida. À admissão, sinais vitais: frequência respiratória = 26 movimentos/minuto, saturação de O2 = 86%, em ar ambiente; pressão arterial: 110 x 80 mmHg e frequência cardíaca: 116 batimentos/minuto. Exame físico pulmonar com murmúrios vesiculares diminuídos à esquerda, com timpanismo à percussão. Abdome doloroso à palpação profunda, difusamente, sem sinais de peritonite. Exame neurológico com pupilas isocóricas e fotorreagentes, pontuação na Escala de Coma de Glasgow = 7. Sobre a hierarquia de atendimento do caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O paciente deve ser imediatamente encaminhado para tomografia computadorizada de corpo inteiro, dado o trauma de alta energia.
  2. B) Pelos dados clínicos de hemotórax, a primeira conduta deve ser a drenagem torácica, com dreno tubular n°28.
  3. C) Deve-se garantir via aérea definitiva imediatamente.
  4. D) O paciente encontra-se normotenso, o que afasta clinicamente a ocorrência de choque hemodinâmico à avaliação inicial.
  5. E) A propedêutica abdominal impõe envio imediato do paciente ao centro cirúrgico para laparotomia exploradora.

Pérola Clínica

Trauma grave, Glasgow 7, Sat O2 86% → Prioridade: Via aérea definitiva (intubação).

Resumo-Chave

Em um paciente traumatizado grave com Glasgow 7 e hipoxemia (Sat O2 86%), a prioridade absoluta é garantir uma via aérea definitiva. A intubação orotraqueal é essencial para proteger a via aérea, otimizar a oxigenação e ventilação, e prevenir broncoaspiração, conforme o protocolo ABCDE do trauma.

Contexto Educacional

O atendimento ao paciente traumatizado segue uma abordagem sistemática e hierárquica, conhecida como ABCDE do trauma, que prioriza as condições mais ameaçadoras à vida. A avaliação primária foca em A (Airway/Via Aérea com proteção da coluna cervical), B (Breathing/Respiração e ventilação), C (Circulation/Circulação com controle de hemorragias), D (Disability/Déficit neurológico) e E (Exposure/Exposição e controle da hipotermia). Neste caso, o paciente apresenta um Glasgow de 7, indicando rebaixamento grave do nível de consciência, e saturação de oxigênio de 86% em ar ambiente, o que configura hipoxemia. Ambos são critérios claros para a necessidade de uma via aérea definitiva, geralmente por intubação orotraqueal, para garantir a oxigenação, ventilação e proteção contra aspiração. Embora o paciente também apresente sinais de pneumotórax à esquerda (murmúrios vesiculares diminuídos e timpanismo) e taquicardia com hipotensão relativa (sugestivo de choque), a prioridade máxima, dada a hipoxemia e o Glasgow baixo, é a via aérea. Somente após a estabilização da via aérea e respiração, outras intervenções como a drenagem torácica ou a avaliação abdominal aprofundada devem ser realizadas.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da via aérea definitiva em um paciente traumatizado com Glasgow 7?

A via aérea definitiva é crucial para proteger a via aérea de aspiração, garantir oxigenação e ventilação adequadas, e facilitar o controle da ventilação em pacientes com rebaixamento do nível de consciência, como um Glasgow de 7.

Quais são os sinais que indicam a necessidade de uma via aérea definitiva no trauma?

Sinais incluem Glasgow < 8, hipoxemia refratária, hipercapnia, incapacidade de proteger a via aérea, trauma maxilofacial grave, ou risco iminente de obstrução da via aérea.

Como o pneumotórax é abordado na sequência ABCDE do trauma?

O pneumotórax hipertensivo, se presente, é uma emergência que deve ser abordada imediatamente após a via aérea e respiração, geralmente com descompressão por agulha seguida de drenagem torácica. No caso, o pneumotórax simples é secundário à via aérea comprometida.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo