SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Homem de 25 anos, vítima de trauma abdominal fechado, após acidente automobilístico (colisão frontal), dá entrada na emergência com dor de moderada a forte intensidade em projeção de contusão abdominal e torácica à esquerda, sem outras lesões. Apresenta abertura ocular ao chamado, mas sabe o próprio nome, o local em que está e a data do atendimento. Mexe braços e pernas. Tem relato de libação alcoólica antes do trauma. Apresenta sudorese frontal fria, palidez cutâneo-mucosa, pulso de 110, FR 24, PA 100 x 65. Você como chefe de equipe, deve tomar a decisão de:
Trauma abdominal + Sinais de choque (PA ↓, FC ↑, palidez) → Acesso calibroso + Cristaloides + Avaliação primária.
O paciente apresenta sinais de choque hipovolêmico (taquicardia, hipotensão relativa, palidez) após trauma. A prioridade é garantir acessos venosos calibrosos para reposição volêmica rápida com cristaloides, enquanto se realiza a avaliação primária completa do trauma.
O atendimento inicial ao paciente vítima de trauma segue a metodologia do ATLS (Advanced Trauma Life Support), que preconiza a avaliação primária (ABCDE) e a ressuscitação simultânea. Neste caso, o paciente apresenta trauma abdominal fechado e sinais de choque (taquicardia, hipotensão relativa, palidez, sudorese fria), indicando perda volêmica significativa, provavelmente por hemorragia interna. A libação alcoólica pode mascarar o quadro, mas não altera a prioridade da conduta. A prioridade é a estabilização hemodinâmica. Isso envolve a obtenção de dois acessos venosos periféricos calibrosos e o início imediato da infusão de soluções cristaloides (geralmente soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus. Enquanto a ressuscitação volêmica ocorre, a avaliação primária deve ser concluída, incluindo a exposição e exame completo do paciente, com foco na identificação de lesões com risco de vida. A avaliação do tórax com dígito-percussão e ausculta é crucial para descartar pneumotórax, hemotórax ou outras lesões torácicas que possam contribuir para a instabilidade. Somente após a estabilização hemodinâmica, ou se a instabilidade persistir apesar da reposição volêmica inicial, é que se consideram exames complementares como FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) ou tomografia computadorizada. A transfusão de concentrado de hemácias é indicada se houver falha na resposta aos cristaloides ou evidência de hemorragia maciça, e o lavado peritoneal diagnóstico é uma alternativa para detecção de sangramento em centros sem ultrassom ou TC.
Sinais incluem taquicardia, hipotensão (PA < 90 mmHg ou queda de 30% da basal), tempo de enchimento capilar prolongado, palidez, sudorese, alteração do nível de consciência e oligúria.
Acessos venosos calibrosos (ex: dois cateteres 14G ou 16G) permitem a infusão rápida de grandes volumes de fluidos e hemoderivados, essencial para a ressuscitação volêmica em pacientes chocados.
A tomografia é um exame demorado e exige transporte do paciente, o que é contraindicado em pacientes hemodinamicamente instáveis. A prioridade é a estabilização e a busca por sangramentos que possam ser controlados rapidamente.
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