Trauma Pediátrico: Prioridades no Atendimento Inicial e Choque

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020

Enunciado

Criança de 10 anos é atropelada por um carro a 50 km/h. Veio ao pronto-socorro trazida pelo SAMU em prancha rígida e colar cervical com headblock. Socorrista informa que criança apresenta 4 lesões: Hematoma craniano frontal subgaleal de 20cm de diâmetro, perda de 3 dentes com sangramento oral, hematoma em tórax com marca de pneu e fratura exposta de fêmur direito. Na ambulância apresentava-se em REG, hipoativo, FC: 130 bpm, tempo de enchimento capilar: 4 segundos, normotenso, FR: 45 irpm, Saturação 88% em ar ambiente. Qual dessas lesões você avaliará primeiro?

Alternativas

  1. A) Lesão torácica 
  2. B) Hematoma craniano frontal subgaleal
  3. C) Lesão de cavidade oral
  4. D) Fratura exposta de fêmur

Pérola Clínica

Trauma pediátrico: priorizar ABC. Fratura exposta de fêmur → alto risco de choque hipovolêmico.

Resumo-Chave

A fratura exposta de fêmur em crianças pode levar a uma perda sanguínea significativa, resultando em choque hipovolêmico, o que é evidenciado pela taquicardia e tempo de enchimento capilar prolongado da criança. A prioridade é controlar a hemorragia e estabilizar o paciente.

Contexto Educacional

O atendimento inicial ao trauma pediátrico é uma emergência médica que exige uma abordagem sistemática e rápida, seguindo os princípios do ABCDE. Crianças possuem particularidades fisiológicas que as tornam mais vulneráveis a certas lesões e com respostas diferentes ao choque. A identificação e o manejo precoce de condições que ameaçam a vida são cruciais para a sobrevida e o prognóstico. Neste cenário, a criança apresenta sinais de choque (taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado, hipoatividade, saturação baixa) e múltiplas lesões. Embora todas as lesões sejam importantes, a prioridade é dada àquelas que comprometem a vida imediatamente. A fratura exposta de fêmur é uma lesão de alta energia que pode causar hemorragia interna significativa, levando ao choque hipovolêmico. A perda sanguínea em uma fratura de fêmur pode ser substancial, e em crianças, o volume sanguíneo total é menor, tornando-as mais suscetíveis aos efeitos da hipovolemia. Portanto, a avaliação e o manejo da fratura exposta de fêmur, com controle da hemorragia e imobilização, são prioritários para estabilizar a circulação (C do ABCDE). As outras lesões, como o hematoma craniano subgaleal (que raramente causa choque isoladamente), a lesão oral e a lesão torácica, embora importantes, seriam abordadas após a estabilização hemodinâmica inicial, seguindo a hierarquia do ABCDE e a avaliação secundária.

Perguntas Frequentes

Qual a sequência de avaliação no atendimento inicial ao trauma pediátrico?

A sequência segue o mnemônico ABCDE: A (Via Aérea com proteção da coluna cervical), B (Respiração e Ventilação), C (Circulação com controle de hemorragias), D (Déficit Neurológico) e E (Exposição e Controle da Hipotermia).

Por que a fratura de fêmur é uma lesão de alta prioridade no trauma?

A fratura de fêmur, especialmente a exposta, pode causar grande perda sanguínea (até 1-2 litros em adultos, proporcionalmente menos em crianças, mas ainda significativa), levando rapidamente ao choque hipovolêmico, uma das principais causas de morte evitável no trauma.

Quais são os sinais de choque hipovolêmico em crianças?

Em crianças, os sinais de choque hipovolêmico incluem taquicardia (primeiro sinal), tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos fracos, pele fria e pegajosa, alteração do estado mental e, tardiamente, hipotensão.

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