Trauma Grave: Prioridade na Via Aérea e Retirada de Capacete

Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 23 anos de idade, motociclista, vítima de colisão em alta velocidade contra a lateral de um carro, sendo arremessado a cerca de 10 metros. No atendimento inicial na cena, apresenta-se de capacete fechado com proteção frontal, sem abertura ocular ou resposta verbal, mesmo aos estímulos vigorosos, com respiração ruidosa e uso de musculatura acessória. Apresenta frequência cardíaca de 137 bpm, pressão arterial de 82 x 37 mmHg, SatO2 74% em ar ambiente. Assinale, dentre as abaixo, a conduta prioritária para esse caso, após garantia da segurança da cena:

Alternativas

  1. A) Punção de dois acessos venosos calibrosos e infusão de 1000 mL de Ringer Lactato aquecido.
  2. B) Garantia de uma via aérea cirúrgica com imobilização da coluna cervical.
  3. C) Retirar o capacete com auxílio de um segundo socorrista para estabilização da coluna cervical.
  4. D) Toracocentese de alívio no 5º espaço intercostal, linha axilar anterior.

Pérola Clínica

Trauma grave com via aérea obstruída e capacete → Retirada do capacete com imobilização cervical para garantir via aérea.

Resumo-Chave

Em um paciente traumatizado grave com Glasgow < 8 e sinais de obstrução de via aérea (respiração ruidosa), a prioridade absoluta é garantir a permeabilidade da via aérea. A retirada do capacete, realizada por dois socorristas com técnica adequada para manter a imobilização da coluna cervical, é essencial para acessar e proteger a via aérea.

Contexto Educacional

O atendimento inicial ao traumatizado segue a abordagem sistemática do ATLS (Advanced Trauma Life Support), que prioriza a avaliação e o manejo das lesões que ameaçam a vida. A sequência "ABCDE" (Airway, Breathing, Circulation, Disability, Exposure) é fundamental, e a garantia de uma via aérea pérvia e protegida é a primeira e mais crítica etapa. Pacientes com trauma de alta energia e rebaixamento do nível de consciência, como o descrito, têm alto risco de comprometimento da via aérea. A presença de capacete em um paciente com trauma cranioencefálico e sinais de obstrução de via aérea (respiração ruidosa, uso de musculatura acessória) impede o acesso direto à via aérea para avaliação e intervenção. Nesses casos, a retirada do capacete torna-se uma conduta prioritária, desde que realizada de forma segura para evitar lesões adicionais na coluna cervical. A técnica de retirada do capacete exige dois socorristas: um mantém a imobilização manual da coluna cervical, enquanto o outro remove o capacete. Após a retirada, a via aérea deve ser imediatamente avaliada e protegida, seja por manobras simples (elevação do mento, tração da mandíbula) ou avançadas (intubação orotraqueal), sempre mantendo a imobilização cervical. A hipóxia é uma das principais causas de mortalidade evitável no trauma, reforçando a urgência dessa conduta.

Perguntas Frequentes

Por que a via aérea é a prioridade máxima no atendimento inicial ao traumatizado?

A via aérea é a prioridade máxima porque a obstrução ou comprometimento da ventilação leva rapidamente à hipóxia cerebral e sistêmica, sendo a principal causa de morte evitável no trauma.

Como a retirada do capacete deve ser realizada em um paciente traumatizado?

A retirada do capacete deve ser feita por dois socorristas: um estabiliza a coluna cervical pela mandíbula e occipital, enquanto o outro remove o capacete, mantendo a cabeça e o pescoço em alinhamento neutro.

Quais os sinais de comprometimento de via aérea em um traumatizado?

Sinais incluem respiração ruidosa (estridor, roncos), uso de musculatura acessória, agitação ou letargia, cianose, e um baixo nível de consciência (Glasgow < 8), que indica a necessidade de proteção da via aérea.

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