Prioridades no Atendimento ao Trauma: Protocolo ATLS

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 41 anos de idade, foi vítima de atropelamento por trem. Na admissão no serviço de emergência, encontrava-se: A: Intubado; Saturação de O2 85%. B: Ausculta pulmonar abolida à esquerda, com hipertimpanismo à percussão. C: PA: 70x40 mmHg; FC: 140bpm; Tempo de enchimento capilar lentificado. FAST positivo em todos os quadrantes do abdome e negativo no pericárdio. D: Escala de Coma de Glasgow de 3 (sedado e intubado). Pupilas anisocóricas (midríase à direita). E: Amputação traumática de perna esquerda com curativo encharcado de sangue. Com relação às lesões do doente, qual é a sequência correta do tratamento?

Alternativas

  1. A) Drenagem torácica; 2, Torniquete em membro inferior; 3. Tomografia de crânio; 4. Laparotomia exploradora.
  2. B) Tomografia de crânio; 2. Drenagem torácica; 3. Laparotomia exploradora; 4. Torniquete em membro inferior.
  3. C) Drenagem torácica; 2. Torniquete em membro inferior; 3. Laparotomia exploradora; 4. Tomografia de crânio.
  4. D) Torniquete em membro inferior; 2. Drenagem torácica; 3. Tomografia de crânio; 4. Laparotomia exploradora.
  5. E) Nenhuma resposta anterior.

Pérola Clínica

Trate primeiro o que mata: B (Pneumotórax) e C (Hemorragia) precedem D (Neurológico/TC).

Resumo-Chave

A sequência do ATLS prioriza a estabilização de ameaças imediatas à vida (respiração e circulação) antes de avaliações diagnósticas definitivas como a tomografia.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado grave exige adesão estrita à sistematização do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A lógica é tratar as lesões na ordem em que elas oferecem risco iminente de morte. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência clínica que impede o retorno venoso e a oxigenação, devendo ser tratado com descompressão imediata. O choque neste paciente é multifatorial: obstrutivo (pneumotórax) e hipovolêmico (hemorragia abdominal e amputação). O controle do 'C' envolve tanto medidas externas (torniquete) quanto internas (laparotomia). A avaliação neurológica, embora crítica pela presença de anisocoria, é postergada até que a perfusão cerebral mínima seja garantida pela estabilização pressórica. O erro clássico em provas é inverter a ordem para realizar exames de imagem precocemente.

Perguntas Frequentes

Por que a drenagem torácica é a primeira prioridade neste caso?

O paciente apresenta sinais clássicos de pneumotórax hipertensivo: ausculta abolida, hipertimpanismo e instabilidade hemodinâmica (choque obstrutivo). No ABCDE do trauma, o 'B' (Breathing) deve ser resolvido imediatamente, pois a hipóxia e o colapso cardiovascular por desvio de mediastino matam em minutos, precedendo o controle de sangramentos abdominais.

Qual o papel do torniquete e da laparotomia na sequência?

Após estabilizar o 'B', o foco é o 'C' (Circulation). O torniquete controla a hemorragia externa massiva da amputação. Como o FAST é positivo em todos os quadrantes e o paciente está chocado, a laparotomia exploradora é mandatória para controle de danos internos, antes de qualquer investigação neurológica adicional.

Quando realizar a Tomografia de Crânio em pacientes graves?

A Tomografia de Crânio (TC) faz parte do 'D' (Disability) ou da avaliação secundária. Embora a anisocoria sugira hipertensão intracraniana, a TC só deve ser realizada após a estabilização hemodinâmica e respiratória (A, B e C controlados). Um paciente instável não sobrevive ao transporte ou ao tempo de exame na radiologia.

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