Manejo Inicial do Trauma: Protocolo ATLS e Estabilização

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 34 anos, vítima de colisão automobilística, chega ao pronto socorro com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 9), pressão arterial 80x50 mmHg, taquicardia e extremidades frias. A tomografia computadorizada não está disponível. Qual deve ser a conduta inicial imediata segundo o ATLS?

Alternativas

  1. A) Garantir via aérea definitiva, acesso venoso calibroso com reposição volêmica inicial e avaliação rápida com FAST.
  2. B) Solicitar exames laboratoriais antes de qualquer intervenção.
  3. C) Realizar tomografia craniana e abdominal emergencial.
  4. D) Aguardar estabilização espontânea antes de intervir.

Pérola Clínica

Instabilidade hemodinâmica no trauma → ABCDE + FAST; TC é proibida!

Resumo-Chave

No trauma, pacientes instáveis não devem ser transportados para a tomografia. A prioridade é o controle da via aérea, acesso venoso e busca por focos de sangramento (FAST/LPD).

Contexto Educacional

O atendimento ao trauma segue a sistematização do ABCDE para garantir que as ameaças à vida sejam tratadas na ordem de letalidade. No cenário de colisão automobilística com rebaixamento de consciência e choque (hipotensão e taquicardia), a prioridade é garantir a oxigenação e ventilação, enquanto se busca a fonte do choque, que no trauma é hemorrágico até que se prove o contrário. A tomografia computadorizada, embora padrão-ouro para diagnóstico de lesões internas, exige que o paciente esteja estável, pois o ambiente da radiologia não é adequado para manobras de ressuscitação. O uso do FAST ou Lavado Peritoneal Diagnóstico (LPD) permite identificar sangramentos abdominais que exijam laparotomia exploradora imediata.

Perguntas Frequentes

Quando indicar via aérea definitiva no trauma?

A via aérea definitiva (geralmente intubação orotraqueal) é indicada em casos de apneia, proteção de via aérea contra aspiração (sangue ou vômito), comprometimento iminente da via aérea (lesão inalatória, fraturas faciais graves), traumatismo cranioencefálico grave (Escala de Coma de Glasgow ≤ 8) ou incapacidade de manter oxigenação adequada com máscara.

Qual o papel do FAST no paciente instável?

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é uma ferramenta crucial na avaliação primária (letra C) para identificar líquido livre intraperitoneal ou tamponamento cardíaco em pacientes com choque de origem indeterminada. Por ser um exame à beira-leito e rápido, é ideal para pacientes que não possuem estabilidade clínica para serem transportados à tomografia.

Como deve ser a reposição volêmica inicial no choque hemorrágico?

Segundo as atualizações recentes do ATLS, a reposição inicial deve ser parcimoniosa, começando com 1 litro de cristaloide isotônico (em adultos) aquecido. Se não houver resposta, deve-se considerar precocemente a transfusão de hemoderivados (protocolo de transfusão maciça), visando a 'ressuscitação de controle de danos' para evitar a tríade da morte (acidose, coagulopatia e hipotermia).

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