ABCDE do Trauma: Prioridades no Atendimento Inicial

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022

Enunciado

Um paciente foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) à emergência de um hospital com história de atropelamento há alguns minutos. Ao exame físico, o paciente apresenta FC =110 bpm, FR = 28 irpm, SatO2 = 90% e PA = 100 mmHg x 75 mmHg. Ao ser questionado, apenas verbaliza algumas palavras sem sentido, e demonstra abertura ocular à dor e resposta motora de flexão anormal. A ausculta respiratória indica murmúrio vesicular ausente à direita e normais à esquerda. Exames cardiovascular e abdominal não há alterações. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.A avaliação inicial do caso deve seguir o ABCDE do trauma, com as vias aéreas pérvias (airway). Deve-se, então, proceder à drenagem pleural fechada (breathing) e, em um segundo momento, avaliar a necessidade de intubação orotraqueal de acordo com a escala de Glasgow.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

ABCDE do trauma: Trate o que mata primeiro. B (respiração) precede a decisão de via aérea definitiva por Glasgow.

Resumo-Chave

No trauma, a estabilização da ventilação (B) pode ser prioritária à intubação por Glasgow se houver suspeita de pneumotórax hipertensivo, seguindo a lógica de tratar ameaças imediatas à vida sequencialmente.

Contexto Educacional

O atendimento sistematizado ao trauma, preconizado pelo ATLS (Advanced Trauma Life Support), visa identificar e tratar as lesões que representam risco iminente de morte. No caso de um atropelamento com rebaixamento de consciência e sinais de comprometimento torácico, o médico deve ser ágil na diferenciação entre insuficiência respiratória por trauma torácico e depressão neurológica. A flexão anormal (decorticação) no componente motor do Glasgow indica lesão cerebral grave acima do nível do núcleo rubro. Contudo, a hipóxia severa causada por um pneumotórax pode agravar o estado neurológico. Portanto, garantir a expansibilidade pulmonar e a troca gasosa no passo 'B' é fundamental para a neuroproteção antes de proceder à intubação orotraqueal no passo 'A/D'.

Perguntas Frequentes

Como calcular o Glasgow deste paciente e qual sua importância?

O paciente apresenta: Abertura ocular à dor (2), Resposta verbal com palavras sem sentido (3) e Resposta motora com flexão anormal/decorticação (3), totalizando Glasgow 8. Tradicionalmente, um Glasgow ≤ 8 é indicação de via aérea definitiva (intubação). No entanto, no protocolo ABCDE, problemas de ventilação (B) detectados no exame físico devem ser abordados para garantir a oxigenação antes ou durante o manejo da via aérea.

Por que a drenagem pleural foi citada antes da intubação?

No atendimento ao trauma, o 'B' (Breathing) foca na ventilação. O paciente apresenta murmúrio vesicular ausente à direita, SatO2 de 90% e taquipneia, sugerindo um pneumotórax ou hemotórax. Se houver suspeita de pneumotórax hipertensivo, a descompressão/drenagem é uma prioridade absoluta para restaurar a estabilidade hemodinâmica e ventilatória, muitas vezes precedendo a intubação se a via aérea estiver pérvia (A).

Qual a sequência correta do ABCDE no trauma?

A sequência é: A (Airway) - Manutenção da via aérea com controle da coluna cervical; B (Breathing) - Respiração e ventilação; C (Circulation) - Circulação com controle de hemorragia; D (Disability) - Exame neurológico (Glasgow e pupilas); E (Exposure) - Exposição e controle da hipotermia. O tratamento deve ser simultâneo à avaliação, resolvendo as ameaças conforme são encontradas.

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