UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2015
Motorista de carro sem cinto de segurança sofre colisão com outro automóvel e é ejetado. Levado pelo SAMU até o hospital onde você se encontra de plantão, chegando 30 minutos após o trauma com os seguintes parâmetros: respiração ruidosa, está sem colar cervical, frequência respiratória de 20 ciclos por minuto, pressão arterial de 80 x 40 mmHg, frequência cardíaca de 120 batimentos por minuto, Glasgow 7 e ferimentos sangrantes em membros superiores e couro cabeludo. A primeira conduta a ser tomada deverá ser:
Politraumatizado com Glasgow 7 e respiração ruidosa → priorizar via aérea definitiva e proteção cervical.
No atendimento ao politraumatizado, a prioridade é a avaliação e manejo das vias aéreas com proteção da coluna cervical (A do ABCDE). Um Glasgow de 7 indica rebaixamento grave do nível de consciência, e respiração ruidosa sugere obstrução parcial da via aérea, ambos indicativos de necessidade de via aérea definitiva (intubação) e imobilização cervical.
O atendimento inicial ao paciente politraumatizado segue a metodologia do ABCDE (Airway, Breathing, Circulation, Disability, Exposure) do ATLS (Advanced Trauma Life Support), que estabelece uma sequência de prioridades para identificar e tratar condições com risco iminente de vida. A avaliação e o manejo da via aérea com proteção da coluna cervical (A) são sempre a primeira etapa, pois a hipóxia é a principal causa de morte evitável no trauma. Neste caso, o paciente apresenta um mecanismo de trauma de alta energia (ejeção do veículo), respiração ruidosa e um Glasgow de 7. A respiração ruidosa sugere obstrução da via aérea, e o Glasgow 7 indica um rebaixamento grave do nível de consciência, o que compromete a capacidade do paciente de proteger sua própria via aérea. Ambos são indicações claras para a obtenção de uma via aérea definitiva, geralmente por intubação orotraqueal. Simultaneamente, a proteção da coluna cervical com um colar cervical deve ser mantida ou instalada, dada a alta suspeita de lesão cervical em traumas de alta energia. Embora o paciente também apresente sinais de choque hipovolêmico (PA 80x40 mmHg, FC 120 bpm), o manejo da via aérea e da ventilação precede a correção do choque. A hipóxia e a hipercapnia podem agravar o choque e causar lesão cerebral secundária. Após garantir uma via aérea segura e ventilação adequada, o foco se volta para a circulação (C), com controle de hemorragias e reposição volêmica. A sequência do ABCDE é crucial para otimizar os resultados e salvar vidas no trauma.
A proteção da coluna cervical é fundamental para prevenir ou minimizar lesões medulares secundárias em pacientes com trauma, especialmente aqueles com mecanismo de trauma de alta energia ou rebaixamento do nível de consciência.
A via aérea definitiva está indicada em pacientes com Glasgow ≤ 8, incapacidade de manter a via aérea pérvia, risco de aspiração, hipoxemia ou hipercapnia refratárias, ou trauma maxilofacial grave.
A respiração ruidosa (estridor, roncos) indica obstrução parcial da via aérea, que pode ser causada por língua, secreções, sangue, vômito ou edema. É um sinal de emergência que exige intervenção imediata para garantir a oxigenação e ventilação.
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