Trauma Grave: Primeiras Condutas no Atendimento Inicial

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 25 anos de idade, é trazido pelo SAMU ao Hospital Geral, vítima de queda de moto em alta velocidade há 30 minutos. O paciente dá entrada com colar cervical e prancha rígida, referindo dor em face, no abdome e na perna direita. No exame inicial,A: presença de sangue em cavidade oral, apresentando também grande deformidade e crepitação à palpação dos ossos da face (principalmente em maxila e mandíbula), SatO2: 97% com cateter de O2 15L/min;B: murmúrios vesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios, FR: 20ipm;C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 128bpm, PA: 102x62mmHg, abdome com dor à palpação difusa, pelve estável e toque retal sem alterações;D: escala de coma de Glasgow: 14, pupilas isocóricas e fotorreagentes;E: presença de equimoses e ferimentos cortocontusos em face; presença de deformidade com desvio do terço distal da perna direita. Realizado FAST que evidenciou líquido livre em moderada quantidade na cavidade abdominal. Diante desse caso clínico:Determine a primeira conduta que deve ser instituída durante o atendimento deste paciente no Pronto-Socorro, com base nas rotinas de suporte avançado ao trauma:

Alternativas

Pérola Clínica

Trauma grave com via aérea comprometida e choque hipovolêmico → priorizar via aérea definitiva e controle de hemorragia.

Resumo-Chave

Em pacientes traumatizados com múltiplos ferimentos e sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia, hipotensão) e comprometimento de via aérea (sangue em cavidade oral, deformidade facial), a prioridade é sempre a avaliação e manejo da via aérea, seguida do controle da hemorragia e reposição volêmica, conforme o protocolo ABCDE do ATLS.

Contexto Educacional

O atendimento inicial ao paciente traumatizado segue rigorosamente o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), que preconiza a abordagem sistemática ABCDE para identificar e tratar as lesões que ameaçam a vida. A prioridade máxima é sempre a manutenção da via aérea pérvia e protegida (A), especialmente em casos de trauma facial com sangramento ou deformidade, que podem levar à obstrução. Em seguida, avalia-se a respiração (B), circulação (C), déficit neurológico (D) e exposição (E). A avaliação da circulação (C) é fundamental, pois a taquicardia e hipotensão, associadas a um FAST positivo, indicam choque hipovolêmico por hemorragia interna, exigindo reposição volêmica agressiva e controle definitivo da fonte de sangramento. A presença de múltiplas lesões exige uma abordagem organizada para não negligenciar condições potencialmente fatais. O objetivo é estabilizar o paciente rapidamente para permitir investigações diagnósticas mais aprofundadas e tratamento definitivo. A compreensão e aplicação correta do ATLS são cruciais para residentes, pois permitem uma abordagem padronizada e eficaz em situações de emergência, minimizando a morbimortalidade. A capacidade de identificar rapidamente as prioridades e instituir as condutas corretas sob pressão é um diferencial na prática do pronto-socorro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de comprometimento de via aérea em trauma facial?

Sinais incluem sangramento oral, deformidade facial significativa, crepitação e dificuldade respiratória. A presença de sangue na cavidade oral é um alerta para obstrução iminente ou presente.

Qual a importância do FAST no trauma abdominal?

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é crucial para identificar líquido livre na cavidade abdominal, indicando hemorragia interna e potencial choque hipovolêmico, guiando a necessidade de intervenção cirúrgica urgente.

Como o protocolo ABCDE orienta a conduta inicial no trauma?

O ABCDE estabelece uma sequência de prioridades: A (Via Aérea), B (Respiração), C (Circulação), D (Déficit Neurológico) e E (Exposição/Controle Ambiente), garantindo que as ameaças à vida sejam abordadas na ordem correta e rápida.

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