Queimaduras Graves: Manejo Inicial e Erros Comuns

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 44 anos, é retirado pelos bombeiros do segundo andar de uma casa em chamas. O paciente de aproximadamente 70kg, apresentava queimaduras de segundo grau em face (com queimadura de sobrancelhas, víbices nasais e secreção carbonácea em orofaringe), tórax anterior, abdome anterior e membro superior esquerdo. O paciente se apresentava taquicárdico (110bpm), normotenso e taquipneico (30irpm), saturando 90% sob máscara. Ele não responde a comandos verbais e responde a estímulos dolorosos com gemidos. Sobre o caso descrito acima, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Há clara indicação de antibioticoprofilaxia pelo elevado risco de infecção das áreas queimadas e possível evolução para sepse.
  2. B) O primeiro passo no atendimento deste paciente é o acesso a via aérea definitiva, preferencialmente por intubação orotraqueal.
  3. C) Há indicação da dosagem de carboxihemoglobina devido ao elevado risco de intoxicação por monóxido de carbono e de ventilação com O₂ a 100%.
  4. D) Segundo a American Burn Association, a reposição volêmica deste paciente deve ser realizada com Ringer Lactato, num volume de aproximadamente 275ml/h nas primeiras 8 horas e 138ml/h nas 16 horas seguintes.

Pérola Clínica

Queimaduras graves: ATB profilático NÃO é rotina; priorizar via aérea, O₂ 100% (suspeita CO), Parkland para fluidos.

Resumo-Chave

A antibioticoprofilaxia sistêmica não é recomendada de rotina em pacientes queimados, pois pode selecionar germes resistentes e não previne infecção. O manejo inicial foca na via aérea (intubação precoce em lesão inalatória), oxigenação (100% em suspeita de CO) e reposição volêmica conforme a fórmula de Parkland.

Contexto Educacional

O atendimento ao paciente com queimaduras graves e lesão inalatória é uma emergência médica que exige uma abordagem sistemática e rápida, seguindo os princípios do ATLS. A prioridade máxima é a avaliação e proteção da via aérea, pois a lesão inalatória pode causar edema progressivo e obstrução, justificando a intubação orotraqueal precoce em muitos casos, especialmente com sinais de comprometimento. A intoxicação por monóxido de carbono (CO) é uma preocupação significativa em incêndios. O CO, um gás inodoro e incolor, compete com o oxigênio pela ligação à hemoglobina, formando carboxihemoglobina e resultando em hipóxia tecidual. A dosagem de carboxihemoglobina e a administração de oxigênio a 100% são essenciais nesses casos. A reposição volêmica é vital para prevenir o choque hipovolêmico, utilizando a fórmula de Parkland com Ringer Lactato. Contudo, um erro comum e perigoso é a antibioticoprofilaxia sistêmica de rotina. As diretrizes atuais desaconselham essa prática, pois ela não previne infecções e pode levar ao desenvolvimento de bactérias multirresistentes. Antibióticos devem ser reservados para infecções clinicamente diagnosticadas.

Perguntas Frequentes

Quais são as indicações para intubação orotraqueal precoce em pacientes queimados?

Indicações incluem queimaduras de face, pescoço, orofaringe, presença de fuligem nas narinas/boca, rouquidão, estridor, secreção carbonácea, história de inalação em ambiente fechado, e alteração do nível de consciência.

Por que a dosagem de carboxihemoglobina é importante em queimados por inalação?

A dosagem de carboxihemoglobina é crucial para diagnosticar intoxicação por monóxido de carbono (CO), uma causa comum de morbimortalidade em incêndios. O CO liga-se à hemoglobina com maior afinidade que o oxigênio, causando hipóxia tecidual.

Qual a fórmula de reposição volêmica para queimados e qual solução é preferencial?

A fórmula de Parkland é a mais utilizada: 4 mL x peso (kg) x %SCQ (superfície corporal queimada) para as primeiras 24 horas, sendo metade administrada nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes. O Ringer Lactato é a solução cristaloide de escolha.

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