Antibioticoterapia Sistêmica no Paciente Queimado

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, de 54 anos de idade, previamente hígido, é levado ao hospital terciário pelos bombeiros após ter sido resgatado de incêndio em estabelecimento comercial há duas horas. Em avaliação inicial, encontra-se conversando com voz rouca, saturação periférica de oxigênio de 94% com máscara de oxigênio em 12 L/min. Expansibilidade torácica simétrica, com uso de musculatura acessória, murmúrios vesiculares presentes com sibilos expiratórios difusos, frequência respiratória de 26 irpm, frequência cardíaca de 102 bpm, pressão arterial de 130x80 mmHg, bulhas rítmicas normofonéticas em dois tempos e sem sopros, abdome flácido e indolor, pelve estável. Escala de coma de Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem déficits neurológicos focais. Áreas de queimadura em membros superiores e tórax anterior, com acometimento de primeiro e segundo graus, compatível com posição defensiva. Em relação à administração de antibioticoterapia sistêmica para esse paciente, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Deve ser iniciada em até três horas do evento, preferencialmente com oxacilina.
  2. B) Deve ser iniciada em até seis horas do evento, preferencialmente com vancomicina.
  3. C) Deve ser iniciada em até seis horas do evento, preferencialmente com oxacilina.
  4. D) Não há indicação de antibioticoterapia sistêmica.

Pérola Clínica

Queimadura aguda + Inalação → SEM antibiótico profilático sistêmico.

Resumo-Chave

Antibióticos sistêmicos profiláticos não são indicados em queimados; eles não previnem infecção e aumentam o risco de colonização por germes multirresistentes e fungos.

Contexto Educacional

O manejo inicial do paciente queimado segue os princípios do ATLS, priorizando a estabilização das vias aéreas, ventilação e ressuscitação volêmica (fórmula de Parkland ou similares). A barreira cutânea rompida predispõe à colonização, mas a resposta inflamatória sistêmica (SIRS) é comum e não deve ser confundida com sepse nas primeiras 48-72 horas. A lesão inalatória causa dano químico e térmico aos pulmões, aumentando o risco de pneumonia tardia, mas a profilaxia antibiótica precoce é formalmente contraindicada pelas principais sociedades de queimaduras (como a ABA) devido ao impacto negativo na microbiota do paciente e da unidade hospitalar.

Perguntas Frequentes

Por que não usar antibiótico profilático em queimados?

O uso de antibióticos sistêmicos profiláticos em pacientes queimados não reduz a incidência de sepse ou pneumonia. Pelo contrário, a prática seleciona microrganismos multirresistentes (como Pseudomonas aeruginosa e MRSA) e aumenta a predisposição a infecções fúngicas invasivas. O tratamento antimicrobiano deve ser direcionado apenas quando houver evidência clínica e laboratorial de infecção estabelecida.

Como manejar a suspeita de lesão inalatória?

O foco no paciente com lesão inalatória (rouquidão, sibilos, escarro carbonáceo) deve ser a manutenção da patência das vias aéreas, oxigenoterapia e, se necessário, intubação orotraqueal precoce devido ao risco de edema de glote. A antibioticoterapia não previne as complicações inflamatórias da inalação de fumaça e não deve ser iniciada de forma empírica nas primeiras horas.

Quais são as medidas de prevenção de infecção no queimado?

A prevenção baseia-se no desbridamento precoce de tecidos necróticos, uso de agentes tópicos antimicrobianos (como sulfadiazina de prata), controle rigoroso de higiene, suporte nutricional adequado e fechamento precoce das feridas com enxertia. O uso de antibióticos sistêmicos é reservado para episódios de sepse, pneumonia documentada ou infecções de tecidos moles claramente identificadas.

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