Manejo Inicial do Grande Queimado: Prioridades e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Homem com 25 anos de idade chega ao Setor de Emergência de hospital público de grande porte após ser atingido pela explosão de um rojão de fogos de artifício, 40 minutos atrás. Apresenta-se consciente, porém agitado, taquipneico, com fácies de dor forte, frequência cardíaca = 130 bpm e pressão arterial = 130x90 mmHg. Saturação de O₂ (pelo oxímetro de pulso) = 95%. Ao exame inicial observa-se vasta queimadura de terceiro grau na mão, no membro superior esquerdo e na região anterior do tronco, queimadura de segundo grau no membro inferior esquerdo e na cabeça (couro cabeludo). O médico de plantão resolveu transferir o paciente para um centro especializado no tratamento de queimados. A intervenção mais importante a ser realizada, antes da transferência a fim de minimizar os riscos de agravamento do quadro, é:

Alternativas

  1. A) Garantir permeabilidade de via aérea com entubação orotraqueal.
  2. B) Administrar antibioticoterapia profilática e vacina antitetânica.
  3. C) Envolver as áreas lesionadas com compressas úmidas.
  4. D) Puncionar acesso venoso e iniciar reposição volêmica.
  5. E) Prescrever analgésicos fortes e ansiolíticos.

Pérola Clínica

Grande queimado → Acesso venoso calibroso + Reposição volêmica imediata (Parkland) para evitar choque.

Resumo-Chave

Em pacientes com grandes áreas queimadas e sinais de instabilidade (taquicardia), a prioridade absoluta antes do transporte é garantir a perfusão tecidual através da reposição volêmica agressiva.

Contexto Educacional

O manejo do grande queimado exige uma compreensão profunda da fisiopatologia do choque térmico. A explosão de rojão causa lesões térmicas diretas e, potencialmente, trauma por onda de choque. O paciente apresenta taquicardia e agitação, sinais precoces de hipovolemia, apesar da pressão arterial ainda estar compensada. A vasta área de 3º grau e 2º grau resulta em uma resposta inflamatória sistêmica severa. A intervenção mais importante antes da transferência é o estabelecimento de acessos venosos periféricos em áreas não queimadas (ou mesmo através da pele queimada, se necessário) para iniciar a ressuscitação hídrica. Isso minimiza o risco de falência orgânica múltipla durante o transporte. A intubação (A) só seria mandatória se houvesse sinais de lesão por inalação ou obstrução iminente, o que não é o caso clínico imediato (SatO2 95%).

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no atendimento pré-hospitalar do grande queimado?

A prioridade segue o protocolo ABCDE do trauma. Após garantir a via aérea e a ventilação, a circulação (C) é crítica em grandes queimados. Devido à perda maciça de fluidos e ao aumento da permeabilidade capilar, a reposição volêmica imediata com cristaloides (preferencialmente Ringer Lactato) é essencial para prevenir o choque hipovolêmico e a necrose tubular aguda.

Como calcular a reposição volêmica inicial?

Utiliza-se classicamente a Fórmula de Parkland: 4ml x Peso (kg) x % de Superfície Corporal Queimada (SCQ) de 2º e 3º graus. Metade do volume deve ser administrado nas primeiras 8 horas após o acidente. Contudo, guias recentes como o da American Burn Association sugerem iniciar com 2ml/kg/%SCQ para evitar a sobrecarga hídrica, ajustando conforme o débito urinário.

Quando transferir para um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ)?

Os critérios incluem queimaduras de 3º grau em qualquer idade, queimaduras de 2º grau > 10% SCQ, lesões em áreas nobres (face, mãos, pés, períneo), queimaduras elétricas, químicas ou lesão por inalação. A transferência deve ocorrer apenas após a estabilização inicial do paciente.

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