Atendimento Adolescente na UBS: Risco e Vulnerabilidade

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2017

Enunciado

Júlia, 16 anos, com dor abdominal, vômitos e diarreia há 2 dias, informa que o quadro iniciou após ter participado de uma “rave”, na qual afirma ter bebido bastante. A jovem procura a UBS do bairro para ser atendida e nega queixas urinárias. Nesse caso, ela necessita de:

Alternativas

  1. A) atendimento médico no dia, e, embora a situação seja de baixo risco biológico, apresenta vulnerabilidade importante.
  2. B) atendimento prioritário com o médico, pois a situação apresenta risc o moderado e causa preocupação.
  3. C) atendimento imediato, pois a situação apresenta alto risco em decorrência do comprometimento pela desidratação.
  4. D) atendimento médico conforme a disponibilidade da agenda, uma vez que não apresenta risco biológico importante.

Pérola Clínica

Adolescente com queixas gastrointestinais pós-rave → atendimento no dia, considerar vulnerabilidade social e uso de substâncias.

Resumo-Chave

Embora os sintomas de gastroenterite e desidratação leve a moderada possam não configurar um alto risco biológico imediato, a idade da paciente (16 anos), o contexto de "rave" e o relato de "beber bastante" indicam uma situação de vulnerabilidade social e possível uso de substâncias, justificando atendimento médico no mesmo dia para avaliação integral.

Contexto Educacional

O atendimento de adolescentes na Atenção Primária à Saúde (APS) exige uma abordagem que vá além da queixa principal, considerando o contexto biopsicossocial. No caso de Júlia, embora os sintomas de dor abdominal, vômitos e diarreia por dois dias possam ser compatíveis com uma gastroenterite viral ou alimentar de baixo risco biológico imediato, o histórico de participação em uma "rave" e consumo excessivo de álcool (ou outras substâncias) levanta uma bandeira vermelha para vulnerabilidade. A idade de 16 anos coloca a paciente em um grupo etário com riscos aumentados para experimentação de substâncias e exposição a situações de risco. A negação de queixas urinárias ajuda a descartar infecção urinária, mas não minimiza a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. O atendimento médico no mesmo dia é crucial não apenas para avaliar o estado de hidratação e a necessidade de sintomáticos, mas principalmente para estabelecer um vínculo, oferecer um espaço de escuta e identificar outras necessidades de saúde, incluindo saúde mental e prevenção de uso de substâncias. Para o residente, é essencial desenvolver a capacidade de realizar uma anamnese ampliada, que inclua aspectos sociais, familiares e comportamentais, e de reconhecer que a vulnerabilidade social pode ser tão ou mais importante que o risco biológico imediato na determinação da prioridade de atendimento e na construção de um plano de cuidado integral.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de vulnerabilidade em adolescentes que procuram a UBS?

Sinais de vulnerabilidade incluem histórico de uso de substâncias, exposição a ambientes de risco (como raves), problemas familiares, dificuldades escolares, isolamento social e queixas inespecíficas que podem mascarar problemas psicossociais.

Qual a importância do acolhimento na UBS para adolescentes em situação de vulnerabilidade?

O acolhimento qualificado e sem julgamento é fundamental para estabelecer vínculo e confiança, permitindo que o adolescente se sinta seguro para expressar suas preocupações e necessidades, facilitando uma abordagem integral da saúde.

Como diferenciar um caso de baixo risco biológico de uma situação de vulnerabilidade importante?

Um caso de baixo risco biológico pode apresentar sintomas leves e estáveis, mas a vulnerabilidade importante é identificada pelo contexto social, psicológico e comportamental do paciente, que pode indicar riscos futuros ou subjacentes, mesmo sem gravidade clínica imediata.

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