CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica do Mato Grosso do Sul — Prova 2015
Paciente de 45 anos, sexo masculino, é atendido no Pronto-Socorro referindo quadro de dor surda de hipocôndrio direito de moderada intensidade, sendo que o mesmo refere que ficou internado em outro serviço há 15 dias, onde sofreu acidente de trânsito, que durante o exame, só foi diagnosticado fraturas de 3 arcos costais inferior direita, recebendo alta após 48 horas de internação. Durante o seu presente exame clínico, paciente encontra-se BEG, estável hemodinamicamente hipocorado ++/4 ictérico ++/4, toque retal apresenta melena, abdome flácido sem sinais de peritonite, leve dor à palpação de hipocôndrio direito. Com relação a esse caso, qual é o principal diagnóstico?
Trauma abdominal + dor HD + icterícia + melena = Hemobilia até prova em contrário. (Tríade de Sandblom modificada).
O paciente apresenta um quadro clássico de hemobilia, uma condição rara mas grave, caracterizada pela tríade de dor em hipocôndrio direito, icterícia e sangramento gastrointestinal (melena). A história de trauma abdominal recente, com fraturas costais inferiores direitas, sugere lesão hepática ou biliar como causa subjacente, levando ao sangramento para o trato biliar e, consequentemente, para o trato gastrointestinal.
A hemobilia é uma condição rara, mas potencialmente fatal, caracterizada pelo sangramento para o trato biliar, que subsequentemente drena para o trato gastrointestinal. Embora possa ter diversas etiologias, como cálculos biliares, tumores ou procedimentos invasivos, o trauma abdominal é uma causa significativa, especialmente lesões hepáticas ou biliares que podem levar à formação de fístulas arteriobiliares ou pseudoaneurismas. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes com histórico de trauma. O quadro clínico clássico da hemobilia é a tríade de Sandblom, que inclui dor em hipocôndrio direito, icterícia e sangramento gastrointestinal (melena ou hematêmese). No caso apresentado, a história de fraturas costais inferiores direitas após acidente de trânsito, associada à dor em hipocôndrio direito, icterícia e melena, aponta fortemente para este diagnóstico. A hipocromia indica a perda sanguínea crônica ou aguda. O diagnóstico da hemobilia é confirmado por exames de imagem. A angiografia é o método diagnóstico e terapêutico de escolha, permitindo a identificação da fonte do sangramento e sua embolização. O manejo inicial envolve estabilização hemodinâmica do paciente, transfusão sanguínea se necessário, e posteriormente a intervenção para cessar o sangramento. A hemobilia é um diagnóstico que exige alta suspeição e manejo rápido para evitar complicações graves.
A hemobilia clássica é caracterizada pela tríade de Sandblom: dor em hipocôndrio direito, icterícia e sangramento gastrointestinal (hematêmese ou melena). No entanto, nem todos os pacientes apresentam a tríade completa. Outros sintomas podem incluir anemia e febre.
O trauma abdominal, especialmente lesões hepáticas ou biliares, é uma das principais causas de hemobilia. O trauma pode levar à formação de fístulas arteriobiliares ou pseudoaneurismas que sangram para o trato biliar, resultando em hemorragia para o trato gastrointestinal.
O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou, mais especificamente, angiografia. A angiografia não só diagnostica a fonte do sangramento, mas também permite o tratamento por embolização, que é a abordagem de primeira linha na maioria dos casos. Em situações refratárias, a cirurgia pode ser necessária.
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