HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023
Uma mulher de 42 anos apresenta quadro de depressão associada à morte de sua filha de 15 anos há 1 ano. É acompanhada pela equipe de saúde de uma UBS, que identifica vários aspectos de sua vida que interferem em sua saúde, entre os quais o fato de que ela é tabagista há 20 anos, tem dificuldades financeiras e tem um filho adolescente usuário de drogas. Em decorrência disso,
Cuidado integral em APS: priorizar necessidades do paciente, considerando determinantes sociais e contexto de vida.
A Atenção Primária à Saúde (APS) preconiza uma abordagem integral e centrada na pessoa. Diante de um paciente com múltiplos fatores de vulnerabilidade (depressão, luto, tabagismo, dificuldades financeiras, filho usuário de drogas), é essencial que a equipe de saúde construa o plano de cuidado junto com o paciente, respeitando suas prioridades e considerando seu contexto de vida complexo.
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada preferencial do sistema de saúde e tem como um de seus pilares a integralidade e o cuidado centrado na pessoa. Isso significa que o profissional de saúde não deve focar apenas na doença, mas sim no indivíduo em seu contexto social, familiar e econômico. A saúde é um fenômeno complexo, influenciado por múltiplos determinantes sociais que transcendem o aspecto biológico. No caso apresentado, a paciente enfrenta uma série de desafios: luto recente, depressão, tabagismo, dificuldades financeiras e problemas com o filho. Abordar apenas um desses aspectos de forma isolada, ou impor uma agenda de tratamento sem considerar a perspectiva da paciente, seria uma falha na abordagem da APS. A priorização deve ser construída em conjunto, respeitando o tempo e a capacidade da paciente de lidar com cada questão. A equipe de saúde deve atuar como facilitadora, ajudando a paciente a identificar suas próprias necessidades e a construir um plano terapêutico singular que seja exequível e significativo para ela. Isso pode envolver desde o apoio psicossocial, encaminhamentos para serviços sociais, estratégias de redução de danos para o tabagismo e o uso de drogas pelo filho, até o tratamento medicamentoso da depressão, sempre em diálogo e parceria com a paciente.
A APS tem o papel fundamental de coordenar o cuidado, oferecendo uma abordagem longitudinal e integral, que considera não apenas as doenças, mas também os determinantes sociais e o contexto de vida do paciente.
Fatores como condições socioeconômicas, educação, moradia, acesso a serviços e redes de apoio influenciam diretamente a saúde e a capacidade do paciente de aderir a tratamentos e promover mudanças de estilo de vida.
Envolver o paciente garante que o plano seja relevante para suas necessidades e prioridades, aumentando a adesão e a efetividade das intervenções, além de promover sua autonomia e corresponsabilidade no processo de saúde.
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