UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
Uma mulher com 35 anos de idade exerce prostituição há 8 anos em hotéis da cidade para seu sustento e de seus filhos. Em virtude da pandemia da COVID-19, há 6 meses não trabalha e vem apresentando grave dificuldade financeira. Ao consultar na Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro, queixa-se de preocupações excessivas, nervosismo, tremores, palpitações e tonturas. Nesse caso, qual é a conduta adequada do médico de família e comunidade?
Paciente em vulnerabilidade social com sintomas ansiosos → escuta ativa, PTS, agendamento de retorno na UBS.
Em pacientes em situação de vulnerabilidade social com sintomas de ansiedade, a abordagem inicial do médico de família e comunidade deve focar na escuta ativa e na construção de um vínculo de confiança. A elaboração de um Plano Terapêutico Singular (PTS) e o agendamento de retornos programados na UBS permitem um acompanhamento contínuo e a identificação de necessidades psicossociais e de saúde mais amplas, evitando a medicalização precoce sem a devida contextualização.
A Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente através do médico de família e comunidade, desempenha um papel crucial na abordagem de pacientes com queixas de saúde mental, particularmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. O sofrimento psíquico, como a ansiedade, frequentemente está interligado a fatores sociais, econômicos e ambientais, e uma abordagem holística é essencial para um cuidado efetivo. No caso apresentado, a paciente enfrenta grave dificuldade financeira e exerce uma profissão estigmatizada, o que a coloca em uma situação de alta vulnerabilidade social. Seus sintomas de preocupações excessivas, nervosismo, tremores, palpitações e tonturas são compatíveis com um quadro de ansiedade, mas devem ser compreendidos dentro de seu contexto de vida. A conduta adequada na APS não se limita à prescrição medicamentosa, mas prioriza a construção de um vínculo terapêutico. A escuta ativa permite que a paciente se sinta acolhida e compreendida, facilitando a expressão de suas angústias e necessidades. A pactuação de um Plano Terapêutico Singular (PTS) envolve a paciente na tomada de decisões sobre seu cuidado, considerando suas prioridades e recursos disponíveis, e pode incluir desde o encaminhamento para grupos de apoio, psicoterapia, até a articulação com a rede de assistência social. O agendamento de retorno programado na UBS garante a continuidade do cuidado e a reavaliação periódica, permitindo ajustes no plano conforme a evolução do quadro e das condições sociais. Residentes devem ser treinados para reconhecer a complexidade desses casos e evitar abordagens simplistas ou exclusivamente farmacológicas.
A escuta ativa é fundamental para estabelecer um vínculo de confiança, compreender as queixas da paciente em seu contexto de vida e identificar as reais necessidades e recursos. Permite ao médico ir além dos sintomas e abordar os determinantes sociais da saúde que impactam o bem-estar mental.
O PTS é um conjunto de propostas de condutas terapêuticas articuladas para um indivíduo ou família, construído de forma compartilhada entre a equipe de saúde e o paciente. Nesse caso, envolveria ações para a saúde mental (grupos de apoio, psicoterapia), mas também articulação com a rede de assistência social para abordar as dificuldades financeiras e de sustento.
A medicalização precoce pode mascarar os problemas sociais subjacentes, não resolvendo a causa do sofrimento e podendo gerar dependência medicamentosa. É crucial primeiro explorar e intervir nos fatores psicossociais, reservando a medicação para casos mais graves ou quando as intervenções não farmacológicas não são suficientes.
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