Uso Abusivo de Álcool na APS: Abordagem Inicial e Vínculo

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2018

Enunciado

Agente comunitário de saúde (ACS), em conversa com a médica da equipe, relata que está tendo problemas no acompanhamento de uma família nova na área. Na casa, vive uma família nuclear com dois filhos pequenos. A família está passando por dificuldades financeiras que parecem ter relação com possível uso abusivo de álcool. Segundo relato da esposa, ela já insistiu que o marido buscasse ajuda, mas não teve sucesso e tem vergonha da situação. Tendo em mente o trabalho na Atenção Primária e a Política de Redução de Danos, qual a primeira estratégia a ser tomada para benefício do paciente e sua família, nesse momento?

Alternativas

  1. A) Solicitar ao ACS que, de forma precoce, oriente a família a buscar um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD), pois a família pode se desestruturar devido ao uso abusivo de substâncias, nesse caso, o álcool.
  2. B) Utilizar a espera permitida, uma vez que o problema com drogas foi relatado pela esposa, o ideal é aguardar que o marido espontaneamente busque o serviço de saúde, pois pode representar apenas um conflito da relação do casal.
  3. C) Realizar visita domiciliar, ou agendar consulta na unidade, para o paciente, a fim de estabelecer vínculo e fazer uma avaliação geral do paciente e da família, sem obrigatoriamente abordar o problema do uso abusivo de álcool, nesse primeiro momento.
  4. D) Realizar visita domiciliar para que a médica possa abordar os malefícios do álcool. A intervenção breve é capaz de reduzir o consumo de substâncias de forma significativa e representa um primeiro passo dentro da política de redução de danos.

Pérola Clínica

APS: uso abusivo álcool → iniciar com visita domiciliar/consulta, focar em vínculo, não abordar álcool diretamente no 1º momento.

Resumo-Chave

Na Atenção Primária, a abordagem inicial ao uso abusivo de álcool em um contexto familiar deve priorizar o estabelecimento de vínculo e a avaliação integral do paciente e da família, sem forçar a discussão sobre o álcool, respeitando o tempo e a prontidão do indivíduo.

Contexto Educacional

A Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha um papel crucial na identificação e manejo de problemas relacionados ao uso abusivo de álcool e outras substâncias, especialmente em contextos familiares. A abordagem deve ser centrada na pessoa e na família, respeitando suas particularidades e tempo. A primeira estratégia em situações como a descrita é o estabelecimento de vínculo. Isso significa criar uma relação de confiança e acolhimento com o paciente e sua família, seja por meio de visita domiciliar ou consulta na unidade de saúde. Nesse primeiro momento, o foco deve ser uma avaliação geral da saúde e do contexto familiar, sem necessariamente confrontar o paciente sobre o uso de álcool. A vergonha e a resistência são barreiras comuns que podem ser superadas com uma abordagem empática e não julgadora. A Política de Redução de Danos orienta que o objetivo principal é diminuir os riscos e prejuízos associados ao uso de substâncias, e não apenas a abstinência. Ao construir um vínculo sólido, a equipe de saúde pode, progressivamente, introduzir a discussão sobre o álcool, oferecer suporte e encaminhamentos adequados, como para um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD), quando o paciente estiver mais receptivo.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do estabelecimento de vínculo na Atenção Primária?

O estabelecimento de vínculo é fundamental na APS para construir confiança, facilitar a comunicação e promover a adesão do paciente ao cuidado, especialmente em situações sensíveis como o uso de substâncias.

Por que não abordar o uso de álcool diretamente no primeiro contato?

Abordar o uso de álcool de forma direta no primeiro contato pode gerar resistência, vergonha e afastar o paciente. É mais eficaz construir uma relação de confiança antes de tocar em temas delicados.

O que é a Política de Redução de Danos no contexto do uso de substâncias?

A Política de Redução de Danos busca minimizar as consequências negativas do uso de substâncias, sem necessariamente exigir a abstinência imediata, focando na saúde e bem-estar do indivíduo e da comunidade.

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