Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Gestante de 28 anos, 32 semanas, apresenta queixas de dor lombar e corrimento vaginal. Na anamnese, refere múltiplos parceiros e dificuldade de adesão ao pré-natal. Qual deve ser a prioridade da equipe de saúde segundo a atenção básica?
Gestante vulnerável + baixa adesão = Priorizar acolhimento, vínculo e testagem imediata de ISTs.
Na Atenção Básica, o manejo de gestantes com baixa adesão e múltiplos parceiros exige uma abordagem biopsicossocial, focando no acolhimento e na prevenção de transmissão vertical de ISTs.
A assistência pré-natal na Atenção Primária à Saúde (APS) vai além do monitoramento biológico do crescimento fetal. Ela se fundamenta no acolhimento e na criação de vínculo, especialmente em casos de alta vulnerabilidade social e baixa adesão. A identificação de múltiplos parceiros e a presença de queixas como corrimento vaginal em uma gestante de 32 semanas acendem o alerta para o risco de parto prematuro e transmissão vertical de patógenos como o Treponema pallidum e o HIV. A prioridade deve ser a integração dessa mulher à rede de cuidados, utilizando ferramentas como a testagem rápida para resultados imediatos e o tratamento imediato de possíveis infecções. A dor lombar, embora comum no terceiro trimestre, deve ser avaliada para descartar trabalho de parto prematuro ou infecção urinária, mas nunca deve eclipsar a necessidade de uma abordagem integral da saúde sexual e reprodutiva.
Segundo o Ministério da Saúde, devem ser realizados na primeira consulta e no terceiro trimestre (preferencialmente na 28ª semana): testes rápidos ou sorologias para Sífilis, HIV, Hepatite B (HBsAg) e Hepatite C. No caso de gestantes com múltiplos parceiros ou baixa adesão, a testagem deve ser facilitada e repetida sempre que houver exposição de risco, visando o tratamento oportuno para evitar a transmissão vertical.
O manejo deve seguir a abordagem sindrômica ou a coleta de material para análise, se disponível. É crucial diferenciar entre leucorreia fisiológica da gestação, candidíase, vaginose bacteriana e infecções por clamídia ou gonococo. Na presença de fatores de risco para IST, o tratamento para cervicites deve ser considerado, sempre orientando o tratamento do(s) parceiro(s) para evitar a reinfecção.
O acolhimento integral envolve a escuta qualificada das demandas da gestante, o reconhecimento de suas vulnerabilidades sociais e emocionais, e a garantia de acesso facilitado à equipe. Inclui a criação de um plano de parto, orientações sobre sinais de alerta e o fortalecimento do vínculo para reduzir o absenteísmo às consultas, garantindo que a paciente se sinta segura e protagonista do seu cuidado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo