Dispneia Pós-Operatória: Manejo da Atelectasia

Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 49 anos, em primeiro dia pós operatório de colecistectomia convencional, queixando-se de dispneia e dor no ombro direito. Nega dor torácica. Nega tosse. Nega parada de evacuação de flatos e fezes. Ao exame físico apresenta-se em bom estado geral, dispneica, anictérica, febril. Murmúrio reduzido em ápice direito, com expansibilidade reduzida. Ausculta cardiológica sem alterações. Panturrilhas sem empastamento. Sinais Vitais: PA: 130 x 80 mmHg, FC: 72 bpm, FR: 17 irpm, Sat O2: 91% T: 38ºC A MELHOR conduta neste caso é:

Alternativas

  1. A) heparinização plena.
  2. B) drenagem de tórax.
  3. C) antibiótico de amplo espectro.
  4. D) ventilação não invasiva com pressão positiva.

Pérola Clínica

Dispneia + hipoxemia + murmúrio ↓ pós-op abdominal → suspeitar atelectasia; VNI é conduta inicial.

Resumo-Chave

Paciente pós-colecistectomia com dispneia, dor em ombro direito (dor referida diafragmática), febre baixa, hipoxemia e murmúrio reduzido em ápice direito sugere atelectasia. A ventilação não invasiva com pressão positiva é a melhor conduta inicial para reverter o colapso alveolar e melhorar a oxigenação.

Contexto Educacional

A dispneia e a hipoxemia no pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais altas como a colecistectomia convencional, são achados comuns e frequentemente indicam complicações pulmonares. A atelectasia, o colapso de uma parte do pulmão, é a complicação pulmonar mais frequente nesse cenário, ocorrendo devido à diminuição da ventilação, dor que impede a respiração profunda e acúmulo de secreções. A dor referida no ombro direito, neste contexto, é um sintoma clássico de irritação diafragmática. O diagnóstico de atelectasia é clínico, baseado em dispneia, taquipneia, hipoxemia, febre baixa e achados de exame físico como murmúrio vesicular reduzido e expansibilidade diminuída. A radiografia de tórax pode confirmar o diagnóstico, mostrando áreas de opacificação e perda de volume. É crucial diferenciar a atelectasia de outras causas de dispneia pós-operatória, como pneumonia, embolia pulmonar ou derrame pleural. A conduta inicial para atelectasia pós-operatória visa reverter o colapso alveolar e melhorar a oxigenação. A ventilação não invasiva (VNI) com pressão positiva, como CPAP ou BiPAP, é uma excelente opção terapêutica, pois ajuda a recrutar alvéolos e manter as vias aéreas abertas. Além disso, a fisioterapia respiratória intensiva, incluindo exercícios de respiração profunda e tosse assistida, é fundamental. A analgesia adequada é essencial para permitir que o paciente realize esses exercícios eficazmente.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para atelectasia pós-operatória?

Fatores de risco incluem cirurgia abdominal alta, obesidade, tabagismo, doença pulmonar preexistente, anestesia geral prolongada, dor pós-operatória que limita a respiração profunda e imobilidade.

Por que a dor no ombro direito pode estar associada à atelectasia pós-operatória?

A dor no ombro direito pode ser uma dor referida diafragmática, comum após cirurgias abdominais, que pode limitar a expansão pulmonar e contribuir para a atelectasia ao dificultar a respiração profunda.

Qual o mecanismo de ação da ventilação não invasiva na atelectasia?

A VNI com pressão positiva ajuda a recrutar alvéolos colapsados, melhora a ventilação e a oxigenação, e previne o colapso alveolar, sendo eficaz na reversão da atelectasia e na redução do trabalho respiratório.

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