Atelectasia Pós-Operatória: Diagnóstico e Conduta Inicial

HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025

Enunciado

Homem, 65 anos, internado em UTI no 1º dia de pós-operatório de gastrectomia total por neoplasia apresentou febre. No momento sem queixas específicas porem refere dor peri-incisonal ao tossir. Exame físico: consciente, orientado, acianótico, T = 38 ℃, PA = 126 x 86 mmHg, FC = 98 bpm, FR = 24 irpm; pulmão: murmúrio vesicular presente, diminuído em base esquerda; abdome: incisão cirúrgica de bom aspecto, sem irritação peritoneal. Qual é a conduta mais indicada para o manejo da hipótese diagnóstica mais provável é:

Alternativas

  1. A) Tomografia computadorizada de tórax.
  2. B) Ultrassonografia de abdome.
  3. C) Fisioterapia respiratória.
  4. D) Broncoscopia.

Pérola Clínica

Febre < 48h pós-op + ↓ MV em bases → Atelectasia → Fisioterapia respiratória.

Resumo-Chave

A atelectasia é a causa mais comum de febre nas primeiras 24-48 horas de pós-operatório, especialmente em cirurgias abdominais altas, devido à redução da expansibilidade pulmonar e dor.

Contexto Educacional

A atelectasia pós-operatória resulta do colapso de pequenos alvéolos, frequentemente causado pela redução do volume residual funcional durante a anestesia e pela respiração superficial devido à dor pós-operatória. É particularmente prevalente em cirurgias de andar superior do abdome, como a gastrectomia, onde a manipulação diafragmática e a incisão cirúrgica dificultam a ventilação basal. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado no tempo de aparecimento da febre e no exame físico (taquipneia e redução de murmúrio vesicular). O tratamento foca na reversão do colapso alveolar através de manobras de expansão e controle da dor.

Perguntas Frequentes

Por que a atelectasia causa febre no pós-operatório imediato?

A febre decorrente da atelectasia no pós-operatório imediato (primeiras 24-48 horas) é atribuída à liberação de citocinas inflamatórias pelos macrófagos alveolares em áreas de parênquima pulmonar colapsado. Embora o mecanismo exato ainda seja debatido, clinicamente é a causa mais frequente de picos febris precoces em pacientes submetidos a anestesia geral e cirurgias toracoabdominais, onde a dor e a disfunção diafragmática limitam a inspiração profunda e a tosse eficaz.

Qual o papel da fisioterapia respiratória no manejo da atelectasia?

A fisioterapia respiratória é o pilar do tratamento e prevenção. Ela utiliza manobras de reexpansão pulmonar, exercícios de inspiração profunda, espirometria de incentivo e deambulação precoce para aumentar o volume corrente e recrutar alvéolos colapsados. Em casos de dor peri-incisional, como no paciente da questão, a analgesia otimizada é fundamental para permitir que o paciente realize as manobras fisioterapêuticas de forma eficaz, reduzindo o shunt intrapulmonar e resolvendo o quadro febril.

Quando suspeitar de pneumonia em vez de atelectasia no pós-operatório?

A pneumonia pós-operatória geralmente se manifesta mais tardiamente, após o 3º dia de pós-operatório. Diferente da atelectasia, a pneumonia costuma vir acompanhada de tosse produtiva com escarro purulento, leucocitose significativa com desvio à esquerda e novos infiltrados pulmonares persistentes na radiografia de tórax. No 1º DPO, na ausência de sinais de sepse ou instabilidade hemodinâmica, a hipótese de atelectasia deve ser sempre a primeira a ser manejada com medidas conservadoras de expansão.

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