Atelectasia Pós-Operatória: Diagnóstico e Manejo em Cirurgia

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 33 anos, em segundo dia pós-operatório de colecistectomia videolaparoscópica convertida para convencional, queixando-se de falta de ar e dor no ombro direito. Nega dor torácica. Nega tosse. Nega parada de evacuação de flatos e fezes. No momento em regular estado geral, dispneico, anictérico, febril. Murmúrio reduzido em base direita, com expansibilidade reduzida. Ausculta cardiológica sem alterações. Panturrilhas sem empastamento. Sinais Vitais: PA: 160 x 90 mmHg, FC: 95 bpm, FR: 25 irpm, Sat O2: 90% T: 38,3ºC Foi submetido a radiografia de tórax (abaixo). A principal hipótese diagnóstica é:

Alternativas

  1. A) Atelectasia.
  2. B) Pneumonia lobar superior.
  3. C) Pneumotórax.
  4. D) Quilotórax.

Pérola Clínica

Pós-operatório abdominal + dispneia + febre + murmúrio ↓ em base = Atelectasia.

Resumo-Chave

A atelectasia é uma complicação pulmonar comum no pós-operatório de cirurgias abdominais, especialmente as convencionais. A dor no ombro pode ser referida devido à irritação diafragmática. A redução do murmúrio vesicular e da expansibilidade em base pulmonar, associada à febre e dispneia, são achados clássicos.

Contexto Educacional

A atelectasia pós-operatória é uma das complicações pulmonares mais frequentes após procedimentos cirúrgicos, especialmente os abdominais superiores e torácicos. Sua importância clínica reside na potencial evolução para pneumonia, prolongamento da internação e aumento da morbidade. A epidemiologia mostra que pode afetar até 90% dos pacientes submetidos a cirurgias abdominais de grande porte. A fisiopatologia da atelectasia envolve a diminuição do volume pulmonar devido à obstrução brônquica (por secreções, coágulos) ou à compressão extrínseca, resultando em colapso alveolar. No pós-operatório, a dor, o uso de opioides, a imobilidade e a disfunção diafragmática contribuem para a respiração superficial e a retenção de secreções. O diagnóstico é clínico (dispneia, taquipneia, febre, hipoxemia, murmúrio vesicular reduzido) e radiológico (perda de volume pulmonar, desvio de estruturas). O tratamento da atelectasia é primariamente preventivo e de suporte. Inclui fisioterapia respiratória intensiva, incentivo à tosse e respiração profunda, deambulação precoce, analgesia adequada e, em casos refratários, broncoscopia para remoção de tampões mucosos. O prognóstico é geralmente bom com intervenção precoce, mas a não resolução pode levar a complicações mais graves como pneumonia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para atelectasia pós-operatória?

Fatores de risco incluem cirurgias abdominais e torácicas, anestesia geral prolongada, dor pós-operatória que limita a respiração profunda, obesidade, tabagismo e doenças pulmonares preexistentes.

Como a atelectasia se manifesta clinicamente no pós-operatório?

A atelectasia pode se manifestar com dispneia, taquipneia, febre baixa, dor torácica (ou referida no ombro), e ao exame físico, murmúrio vesicular reduzido e diminuição da expansibilidade torácica na área afetada.

Qual a conduta inicial para o tratamento da atelectasia pós-operatória?

O tratamento inicial envolve fisioterapia respiratória intensiva, incentivo à tosse e respiração profunda, deambulação precoce, analgesia adequada para permitir a movimentação e, em alguns casos, broncodilatadores ou aspiração de secreções.

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