Febre Pós-Operatória: Diagnóstico de Atelectasia Precoce

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021

Enunciado

Antônia, 46 anos, obesa, retorna ao hospital, 22h após alta. Esta no segundo dia de pós-operatório de colecistectomia, realizada por incisão subcostal direita. Ela queixa de a febre e dor na ferida operatória. Avaliação objetiva evidenciou temperatura axilar de 38,6 °C, frequência respiratória de 22 irpm, frequência cardíaca de 84 bpm, pressão arterial de 140x80 mmHg, abdome flácido, doloroso somente à palpação dos entornos da ferida operatória. Sem outros achados significativos. Qual é a causa mais provável para esse quadro?

Alternativas

  1. A) Infecção da ferida operatória.
  2. B) Atelectasia.
  3. C) Pneumonia.
  4. D) Septicemia.
  5. E) Fístula biliar por lesão inadvertida do ducto hepático comum.

Pérola Clínica

Febre no 2º dia pós-operatório, sem sinais de infecção local ou sistêmica grave → Atelectasia é a causa mais comum.

Resumo-Chave

A atelectasia é a complicação pulmonar mais comum no pós-operatório, especialmente nos primeiros 48-72h. A dor incisional e a obesidade podem levar à hipoventilação e acúmulo de secreções, favorecendo seu desenvolvimento.

Contexto Educacional

A febre no pós-operatório é um achado comum e sua investigação depende do tempo de surgimento. A atelectasia é a causa mais frequente de febre nas primeiras 24-48 horas após a cirurgia, especialmente em pacientes com fatores de risco como obesidade, dor incisional, cirurgias abdominais altas e tabagismo. A hipoventilação e a diminuição da mobilidade diafragmática levam ao colapso alveolar. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de febre baixa, taquipneia e, por vezes, diminuição dos murmúrios vesiculares. Exames complementares como radiografia de tórax podem mostrar opacidades basais, mas não são sempre necessários para o diagnóstico inicial. É crucial diferenciar de outras causas de febre, como infecção da ferida operatória (geralmente após o 3º dia), pneumonia (mais tardia e com sinais mais claros de consolidação), infecção do trato urinário ou tromboflebite. O tratamento da atelectasia é primariamente de suporte, com foco na prevenção e reversão. Inclui fisioterapia respiratória intensiva, deambulação precoce, incentivo à tosse e uso de espirômetro de incentivo. A analgesia adequada é fundamental para permitir que o paciente respire profundamente e tussa eficazmente. A profilaxia é a melhor abordagem, com mobilização e exercícios respiratórios iniciados antes e logo após a cirurgia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de atelectasia pós-operatória?

Os sinais incluem febre baixa, taquipneia, tosse, diminuição dos murmúrios vesiculares e, em casos mais graves, hipoxemia.

Qual a conduta inicial para atelectasia pós-operatória?

O tratamento envolve fisioterapia respiratória, incentivo à tosse e deambulação precoce para expandir os alvéolos e mobilizar secreções.

Como diferenciar atelectasia de infecção da ferida operatória no pós-operatório precoce?

A atelectasia ocorre nos primeiros 48h, com febre e sintomas respiratórios. A infecção da ferida geralmente surge após 3-5 dias, com sinais inflamatórios locais.

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