Atelectasia Pós-Operatória: Diagnóstico Radiológico e Manejo

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente em pós-operatório de gastrectomia parcial, com reconstrução a Billroth, sem intercorrências, evoluiu no 2º dia com dispneia e sudorese. Ao RX de tórax, observou-se hemitórax direito opaco, com redução volumétrica do pulmão direito e mediastino desviado para o lado direito, cúpula diafragmática e seios costofrênicos livres. A área cardíaca estava normal. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável. 

Alternativas

  1. A) pneumotórax hipertensivo 
  2. B) derrame pleural 
  3. C) atelectasia
  4. D) pneumomediastino
  5. E) derrame pericárdico

Pérola Clínica

Hemitórax opaco + desvio mediastino ipsilateral + redução volumétrica pulmonar pós-op = Atelectasia.

Resumo-Chave

A atelectasia pós-operatória é uma complicação comum, especialmente após cirurgias abdominais superiores. A radiografia de tórax com hemitórax opaco, redução volumétrica do pulmão afetado, desvio do mediastino para o lado da opacificação e elevação da cúpula diafragmática ipsilateral são achados clássicos que indicam colapso pulmonar.

Contexto Educacional

A atelectasia é o colapso de uma parte ou de todo o pulmão, resultando em perda de volume pulmonar. É uma das complicações pulmonares mais comuns no pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais superiores, como a gastrectomia. Fatores de risco incluem dor pós-operatória que limita a respiração profunda, uso de opioides, imobilidade e secreções brônquicas. A fisiopatologia envolve a obstrução brônquica (por muco, coágulos) ou a compressão extrínseca do pulmão, levando à reabsorção do ar alveolar e colapso. Clinicamente, o paciente pode apresentar dispneia, taquipneia, tosse e febre. O diagnóstico é frequentemente feito por radiografia de tórax, que mostra opacificação do hemitórax afetado, redução do volume pulmonar, desvio do mediastino para o lado da lesão, elevação da cúpula diafragmática ipsilateral e estreitamento dos espaços intercostais. O tratamento da atelectasia visa reexpandir o pulmão e prevenir complicações. Inclui fisioterapia respiratória, exercícios de respiração profunda, tosse assistida, deambulação precoce e, em alguns casos, broncoscopia para remoção de rolhas de muco. A prevenção é crucial, com incentivo à mobilização e técnicas de higiene brônquica no pré e pós-operatório.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados radiológicos da atelectasia no RX de tórax?

No RX de tórax, a atelectasia se manifesta como opacificação do hemitórax afetado, redução do volume pulmonar, desvio do mediastino para o lado da lesão, elevação da cúpula diafragmática ipsilateral e estreitamento dos espaços intercostais.

Por que a atelectasia é comum no pós-operatório de cirurgias abdominais?

A atelectasia é comum devido à dor pós-operatória que limita a respiração profunda e a tosse, uso de opioides que deprimem o centro respiratório, imobilidade e acúmulo de secreções brônquicas, especialmente após cirurgias abdominais superiores.

Como diferenciar atelectasia de derrame pleural ou pneumotórax no RX?

Na atelectasia, o mediastino desvia para o lado da opacificação (ipsilateral) e há redução volumétrica. No derrame pleural, o mediastino desvia para o lado oposto (contralateral) se for volumoso. No pneumotórax hipertensivo, o mediastino também desvia para o lado contralateral, com hipertransparência e ausência de trama vascular.

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