SGCH - Santa Genoveva Complexo Hospitalar (MG) — Prova 2021
Paciente de 59 anos foi submetido a gastrectomia subtotal devido a adenocarcinoma gástrico, em primeiro dia de pós-operatório apresentou desconforto respiratório e febre aferida de 38ºC. Nega dor torácica. Nega tosse. Nega sintomas urinários. Ao exame físico: regular estado geral, descorado (++/4+), desidratado (+/4+), taquipneico, anictérico, acianótico, afebril. Estável hemodinamicamente, bulhas rítmicas sem sopros audíveis, normofonéticas. Murmúrio vesicular abolido em hemitórax esquerdo, submaciço à percussão. Abdome com ferida operatória levemente hiperemiada, sem saída de secreções, ruídos hidroaéreos reduzidos, levemente doloroso, sem sinais de irritação peritoneal. Foi submetido à radiografia de tórax abaixo. A provável etiologia do quadro febril é:
Febre no 1º PO + desconforto respiratório + MV ↓ + macicez = Atelectasia, especialmente após cirurgia abdominal.
Atelectasia é uma causa comum de febre e desconforto respiratório no primeiro dia pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais. A redução do murmúrio vesicular e a submacicez à percussão, juntamente com a radiografia de tórax, são achados típicos.
A febre no pós-operatório é uma ocorrência comum e um desafio diagnóstico para residentes. A atelectasia pulmonar é a causa mais frequente de febre nas primeiras 24 a 48 horas após cirurgias, especialmente as abdominais e torácicas. Compreender sua fisiopatologia, apresentação clínica e diagnóstico é crucial para um manejo adequado e para evitar investigações desnecessárias. A fisiopatologia da atelectasia pós-operatória envolve a redução da ventilação pulmonar devido à dor, uso de analgésicos, imobilidade e compressão diafragmática. Isso leva ao colapso de alvéolos e bronquíolos, resultando em áreas de hipoventilação e shunt intrapulmonar. Clinicamente, o paciente pode apresentar taquipneia, desconforto respiratório e febre baixa. Ao exame físico, são comuns a diminuição ou abolição do murmúrio vesicular e a submacicez à percussão na área afetada. O diagnóstico é primariamente clínico e radiológico. A radiografia de tórax pode mostrar áreas de opacificação ou elevação do diafragma. O tratamento e a prevenção focam na fisioterapia respiratória, deambulação precoce, incentivo à tosse e uso de espirômetro de incentivo. É importante diferenciar a atelectasia de outras causas de febre pós-operatória, como pneumonia (que geralmente surge mais tardiamente), infecção da ferida operatória ou infecção urinária, para direcionar a terapia corretamente.
Os sinais e sintomas incluem febre baixa (geralmente nas primeiras 24-48h), taquipneia, desconforto respiratório, tosse (embora possa estar ausente), e ao exame físico, murmúrio vesicular diminuído ou abolido, e macicez ou submacicez à percussão na área afetada.
A atelectasia é comum devido à dor pós-operatória que leva à respiração superficial, à diminuição da mobilidade diafragmática, ao uso de sedativos e analgésicos que deprimem a respiração, e à posição supina prolongada, que favorecem o colapso alveolar.
A atelectasia geralmente ocorre nas primeiras 24-48 horas pós-operatório e a febre costuma ser mais baixa. A pneumonia, por outro lado, tende a se manifestar mais tardiamente (após 48-72 horas), com febre mais alta, tosse produtiva e infiltrados pulmonares na radiografia que não se resolvem rapidamente com fisioterapia respiratória.
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