USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Menina, 5 anos de idade, portadora de doença neuromuscular, foi admitida com história de tosse e cansaço há 2 dias, sendo feito o diagnóstico de crise asmática. A radiografia de tórax, realizada na admissão, é apresentada a seguir: No terceiro dia de internação em enfermaria, apresentou piora clínica com frequência respiratória de 44 ipm, frequência cardíaca de 138 bpm, PA de 88x68 mmHg, saturação de O₂ de 88% em máscara de Venturi 50%, ausculta pulmonar diminuída em hemitórax direito, tiragens subcostal e intercostal, tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Foi repetida a radiografia de tórax, conforme imagem a seguir: Baseada no diagnóstico principal, a conduta indicada é:
Piora respiratória em criança com doença neuromuscular e atelectasia → priorizar higiene pulmonar, VNI e fisioterapia para reexpansão.
Em pacientes com doença neuromuscular, a fraqueza muscular respiratória predispõe a atelectasias e infecções. A piora clínica com atelectasia exige medidas agressivas de higiene pulmonar, como fisioterapia respiratória e ventilação não invasiva, para reverter o colapso e melhorar a oxigenação.
Crianças com doenças neuromusculares apresentam alto risco de complicações respiratórias devido à fraqueza dos músculos respiratórios, tosse ineficaz e dificuldade de mobilização de secreções. Isso as predispõe a atelectasias recorrentes, infecções pulmonares e insuficiência respiratória. A crise asmática, nesse contexto, pode exacerbar a obstrução e a formação de rolhas de muco, levando ao colapso alveolar. A radiografia de tórax, mostrando opacificação e redução de volume do hemitórax direito com desvio de mediastino ipsilateral, é altamente sugestiva de atelectasia. A piora clínica com hipoxemia e aumento do esforço respiratório confirma a necessidade de intervenção. O diagnóstico diferencial inclui pneumotórax (que causaria desvio contralateral em caso de tensão e hipertransparência) e derrame pleural (que seria mais homogêneo e sem desvio ipsilateral). A conduta principal visa a reexpansão pulmonar e a melhora da ventilação. A fisioterapia respiratória, com técnicas de higiene brônquica (drenagem postural, percussão, vibração, aspiração), é fundamental para remover secreções. A ventilação não invasiva (VNI) pode auxiliar na reexpansão e no suporte ventilatório, melhorando a oxigenação e reduzindo o trabalho respiratório. Antibioticoterapia seria considerada se houvesse sinais claros de infecção bacteriana, mas a prioridade é a reexpansão.
Fatores de risco incluem fraqueza dos músculos respiratórios, tosse ineficaz, dificuldade de mobilização de secreções, escoliose, disfagia e infecções respiratórias frequentes, que levam ao acúmulo de muco e colapso alveolar.
A fisioterapia respiratória é fundamental para a reexpansão pulmonar, utilizando técnicas como drenagem postural, percussão, vibração, aspiração de secreções e exercícios respiratórios para remover rolhas de muco e melhorar a ventilação.
A VNI é indicada para auxiliar na reexpansão pulmonar, melhorar a oxigenação, reduzir o trabalho respiratório e facilitar a remoção de secreções em crianças com atelectasia, especialmente aquelas com fraqueza muscular respiratória ou insuficiência respiratória.
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