Marcha Atáxica Cerebelar: Diagnóstico e Causas

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 75 anos de idade, independente funcional e com autonomia, refere que, recentemente, vem apresentando marcha muito instável, com muitos tropeços e tendência a quedas. Antecedente de etilismo. No exame físico, observa-se que, ao ficar em pé, seus pés ficam afastados e há importante desequilíbrio dinâmico. Teste de Romberg: negativo. Qual é a hipótese mais provável?

Alternativas

  1. A) Desequilíbrio relacionado a marcha ceifante que é típica do paciente com Doença de Parkinson.
  2. B) Desequilíbrio relacionado à propriocepção, pois é uma paciente etilista com provável lesão nervosa dos músculos envolvidos no levantamento dianteiro do pé.
  3. C) Marcha escarvante devida à diminuição da flexão e extensão dos membros inferiores, resultando em abdução exagerada do membro durante a marcha.
  4. D) Marcha atáxica que deve ter relação com lesão cerebelar, que muitas vezes está presente em pacientes etilistas.

Pérola Clínica

Ataxia cerebelar = Marcha de base alargada, desequilíbrio dinâmico, dismetria, Romberg negativo; comum em etilistas.

Resumo-Chave

A marcha atáxica de origem cerebelar é caracterizada por uma base de sustentação alargada, desequilíbrio dinâmico e incoordenação dos movimentos, frequentemente associada ao etilismo crônico. O teste de Romberg é negativo, diferenciando-a da ataxia sensitiva.

Contexto Educacional

A ataxia é um distúrbio da coordenação motora que se manifesta como incoordenação dos movimentos voluntários, incluindo a marcha. A ataxia cerebelar, especificamente, resulta de lesões no cerebelo e suas vias, sendo uma das causas mais comuns de distúrbios de marcha em idosos. É crucial diferenciá-la de outros tipos de ataxia, como a sensitiva ou vestibular, para um diagnóstico e manejo adequados. A apresentação clínica da ataxia cerebelar inclui uma marcha de base alargada, instabilidade postural e dinâmica, dismetria (dificuldade em acertar um alvo), disdiadococinesia (dificuldade em realizar movimentos alternados rápidos) e nistagmo. Um achado semiológico chave é o teste de Romberg negativo, que indica que o paciente já apresenta instabilidade com os olhos abertos e não piora significativamente ao fechá-los, diferenciando-o da ataxia sensitiva, onde o Romberg é positivo. O etilismo crônico é uma causa bem conhecida de degeneração cerebelar, contribuindo para a ataxia devido a efeitos neurotóxicos diretos do álcool e deficiências nutricionais associadas, como a de tiamina. O diagnóstico da ataxia cerebelar baseia-se na avaliação clínica e neurológica, complementada por exames de imagem (ressonância magnética de crânio) para identificar lesões cerebelares. O manejo envolve o tratamento da causa subjacente, quando possível (ex: abstinência alcoólica e suplementação de tiamina), e terapias de reabilitação para melhorar a coordenação e o equilíbrio. A prevenção de quedas é um objetivo primordial, especialmente em pacientes idosos, para preservar a autonomia e a qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da marcha atáxica cerebelar?

A marcha atáxica cerebelar é caracterizada por uma base de sustentação alargada (pés afastados), passos irregulares e cambaleantes, desequilíbrio dinâmico significativo e dificuldade em manter uma linha reta. O paciente pode apresentar dismetria (dificuldade em julgar distâncias) e disdiadococinesia (dificuldade em realizar movimentos rápidos e alternados).

Qual a importância do teste de Romberg no diagnóstico diferencial das ataxias?

O teste de Romberg é fundamental para diferenciar a ataxia cerebelar da ataxia sensitiva. Na ataxia cerebelar, o teste é negativo, pois o paciente já é instável com os olhos abertos e não piora significativamente ao fechá-los. Na ataxia sensitiva, o teste é positivo, pois a perda da propriocepção é compensada pela visão, e o fechamento dos olhos exacerba a instabilidade.

Como o etilismo crônico afeta o cerebelo e a marcha?

O etilismo crônico pode levar à degeneração cerebelar, especialmente do vermis cerebelar, resultando em ataxia. O álcool e seus metabólitos são neurotóxicos, e a deficiência de tiamina (vitamina B1), comum em etilistas, também contribui para o dano cerebelar, manifestando-se como uma marcha atáxica e desequilíbrio.

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