Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Uma paciente de 25 anos procurou atendimento médico de emergência por ter apresentado um episódio de palpitações, sensação de falta de ar, sudorese, tremores e sensação de morte iminente, com duração de alguns minutos. Relatou que costuma ser uma pessoa tensa, o que a impede de se expor em situações que requerem esforço físico e interação social. Referiu ser uma portadora de prolapso da válvula mitral e temia que poderia estar tendo um “derrame” ou “ataque cardíaco”. Assinale a alternativa com o diagnóstico mais provável, com base nos sintomas apresentados pela paciente?
Ataque de pânico = início súbito de medo intenso + sintomas físicos e cognitivos, com pico em minutos.
A paciente apresenta um quadro clássico de ataque de pânico, caracterizado por início súbito de medo intenso ou desconforto, acompanhado de sintomas físicos (palpitações, sudorese, tremores, dispneia) e cognitivos (sensação de morte iminente, medo de perder o controle), atingindo o pico em minutos. O histórico de ser uma pessoa tensa e evitar situações sociais sugere um transtorno de ansiedade subjacente, e a preocupação com condições cardíacas é comum nesses pacientes.
O ataque de pânico é um episódio súbito de medo ou desconforto intenso que atinge o pico em minutos, acompanhado por sintomas físicos e cognitivos. É uma manifestação central do Transtorno de Pânico, mas pode ocorrer em outros transtornos de ansiedade ou condições médicas. A prevalência ao longo da vida para ataques de pânico isolados é alta, e o Transtorno de Pânico afeta cerca de 2-3% da população adulta, sendo mais comum em mulheres. A fisiopatologia envolve uma desregulação do sistema nervoso autônomo e circuitos cerebrais relacionados ao medo, como a amígdala. Os sintomas incluem palpitações, sudorese, tremores, sensação de falta de ar, dor no peito, náusea, tontura, calafrios, parestesias, desrealização, medo de perder o controle e medo de morrer. A sensação de morte iminente é um sintoma característico e angustiante. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5. É crucial realizar o diagnóstico diferencial com condições médicas que podem mimetizar os sintomas, como infarto agudo do miocárdio, arritmias, hipertireoidismo, feocromocitoma e embolia pulmonar. Uma vez excluídas as causas orgânicas, o tratamento envolve psicoterapia (especialmente Terapia Cognitivo-Comportamental) e farmacoterapia (antidepressivos, como ISRS, e benzodiazepínicos para alívio agudo). O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são fundamentais para melhorar a qualidade de vida do paciente.
Um ataque de pânico é um período distinto de medo ou desconforto intenso que atinge o pico em minutos, e durante o qual quatro (ou mais) dos seguintes sintomas ocorrem: palpitações, sudorese, tremores, sensação de falta de ar, dor no peito, náusea, tontura, calafrios ou ondas de calor, parestesias, desrealização/despersonalização, medo de perder o controle ou "enlouquecer", e medo de morrer.
Embora os sintomas possam ser semelhantes, um ataque de pânico geralmente tem início súbito e pico rápido, com duração autolimitada (minutos), e não apresenta alterações eletrocardiográficas ou enzimáticas cardíacas. Eventos cardíacos agudos tendem a ter um curso mais prolongado e são acompanhados por achados objetivos. A história de ansiedade e a ausência de fatores de risco cardiovascular também são importantes.
Sim, há uma associação conhecida entre prolapso de válvula mitral (PVM) e transtornos de ansiedade, incluindo ataques de pânico. Embora o PVM seja geralmente benigno, alguns pacientes podem apresentar sintomas atípicos ou desenvolver ansiedade relacionada à percepção de sua condição cardíaca. No entanto, o PVM por si só raramente causa os sintomas intensos e agudos de um ataque de pânico.
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