HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2022
Uma jovem, nas compras do supermercado, subitamente inicia um quadro de ansiedade aguda, falta de ar e tonturas. O seu coração dispara e corre da loja. De repente surge-lhe a sensação de que não é real e sente-se separada do seu corpo, “como num pesadelo”. Vai a consulta de urgência e relata este episódio, preocupada. Depois de elaborada a história clínica, sem registros significativos, e do exame objetivo não ter relevado valores anormais de PA, FC, FR e IMC, conclui ter-se tratado de um ataque de pânico. Qual dos seguintes é o tratamento farmacológico mais eficaz neste caso clínico?
Ataque de pânico → ISRS é o tratamento farmacológico de primeira linha para longo prazo.
Para o tratamento farmacológico de longo prazo do transtorno do pânico, os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) são a primeira linha devido à sua eficácia e perfil de segurança. Benzodiazepínicos podem ser usados para alívio agudo dos sintomas, mas não são indicados como monoterapia de longo prazo devido ao risco de dependência.
O ataque de pânico é um episódio súbito de medo intenso ou desconforto que atinge um pico em minutos, acompanhado por sintomas físicos e cognitivos avassaladores. Estes podem incluir palpitações, sudorese, tremores, sensação de falta de ar, dor no peito, náuseas, tontura, calafrios ou ondas de calor, parestesias, desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (sensação de estar separado de si mesmo), medo de perder o controle, enlouquecer ou morrer. O diagnóstico de transtorno do pânico é feito quando há ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por pelo menos um mês de preocupação persistente com a ocorrência de novos ataques ou suas consequências. A fisiopatologia do transtorno do pânico envolve uma desregulação de sistemas neurobiológicos, incluindo o sistema noradrenérgico, serotoninérgico e GABAérgico, com uma possível hipersensibilidade do sistema de alarme do cérebro. A importância clínica reside no impacto significativo na qualidade de vida do indivíduo, levando a evitação de situações e locais, agorafobia e outras comorbidades psiquiátricas, como depressão. O tratamento do transtorno do pânico geralmente combina farmacoterapia e psicoterapia, sendo a terapia cognitivo-comportamental (TCC) a modalidade psicoterápica mais eficaz. Em relação ao tratamento farmacológico, os Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) são a primeira linha de escolha para o tratamento de longo prazo, devido à sua eficácia comprovada na redução da frequência e intensidade dos ataques, além de um perfil de segurança favorável. Os benzodiazepínicos podem ser utilizados para o alívio agudo dos sintomas durante as crises, mas seu uso contínuo deve ser evitado devido ao risco de dependência e tolerância. A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, comorbidades e preferências do paciente.
Os sintomas incluem taquicardia, falta de ar, tontura, sudorese, tremores, dor no peito, náuseas, sensação de irrealidade (desrealização) ou de estar separado do corpo (despersonalização), e medo intenso de perder o controle, enlouquecer ou morrer.
Os ISRS são eficazes porque atuam regulando os níveis de serotonina no cérebro, um neurotransmissor envolvido na regulação do humor e da ansiedade. Eles ajudam a reduzir a frequência e a intensidade dos ataques de pânico, além de tratar a ansiedade antecipatória e comorbidades como a depressão.
Os benzodiazepínicos são úteis para o alívio rápido dos sintomas agudos de um ataque de pânico devido ao seu início de ação rápido. No entanto, não são recomendados para uso de longo prazo devido ao risco de dependência, tolerância e efeitos colaterais, sendo geralmente usados como ponte até que os ISRS façam efeito ou em situações de crise.
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