Ataque Isquêmico Transitório: Diagnóstico e Manejo

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 75 anos, previamente portador de hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes melito tipo 2 admitido por quadro de hemiparesia esquerda completa proporcionada há 1 h. Durante a avaliação inicial, o déficit do paciente reverte completamente. Exame físico: PA: 140x80 mmHg; FC: 98 bpm; FR: 20 irpm; SatO2: 98% em ar ambiente. A TC não demonstra área isquêmica. Qual alternativa contempla a provável hipótese diagnóstica e conduta?

Alternativas

  1. A) AIT; Internação hospitalar e prescrição de dupla antiagregação.
  2. B) AVC isquêmico lacunar; Internação hospitalar e prescrição de dupla antiagregação.
  3. C) AIT; Alta hospitalar com consulta com neurologista em menos de 72 h.
  4. D) AVC isquêmico; Internação em unidade de terapia Intensiva para monitorização neurológica.
  5. E) AVC hemorrágico; Internação hospitalar e antihipertensivo.

Pérola Clínica

Déficit neurológico focal transitório (<24h) + TC normal = AIT. Conduta: Internação e dupla antiagregação.

Resumo-Chave

Um Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é definido por um episódio de disfunção neurológica causada por isquemia focal cerebral, medular ou retiniana, sem infarto agudo. A reversão completa dos sintomas e a ausência de lesão isquêmica na TC (ou RM) são cruciais para o diagnóstico. A conduta inclui internação para investigação e dupla antiagregação.

Contexto Educacional

O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é um episódio de disfunção neurológica focal causada por isquemia cerebral, medular ou retiniana, com sintomas que duram menos de 24 horas e sem evidência de infarto agudo em exames de imagem. Embora os sintomas se resolvam, o AIT é um forte preditor de AVC isquêmico subsequente, com o maior risco nas primeiras 48 horas. A identificação e o manejo rápidos são cruciais para a prevenção secundária. O diagnóstico de AIT é clínico, baseado na história de sintomas neurológicos focais transitórios. Exames de imagem, como a tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) cerebral, são essenciais para excluir um AVC isquêmico estabelecido ou outras causas dos sintomas. A ausência de lesão isquêmica aguda na TC é um achado comum no AIT. Fatores de risco como hipertensão arterial sistêmica e diabetes melito aumentam a probabilidade de eventos cerebrovasculares. A conduta para AIT de alto risco (avaliado por escalas como ABCD2) inclui internação hospitalar para investigação etiológica (ex: ecocardiograma, Doppler de carótidas, Holter) e início de terapia antiplaquetária. A dupla antiagregação (aspirina e clopidogrel) é recomendada por um período limitado (geralmente 21-90 dias) em pacientes com AIT de alto risco, seguida por antiagregação única. O objetivo é identificar a causa do AIT e implementar medidas para prevenir um AVC futuro.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para um Ataque Isquêmico Transitório (AIT)?

Um AIT é caracterizado por sintomas neurológicos focais de início súbito, causados por isquemia cerebral, medular ou retiniana, que se resolvem completamente sem evidência de infarto agudo em exames de imagem, como a TC ou RM.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de AIT?

A conduta inicial para um paciente com suspeita de AIT inclui internação hospitalar para investigação etiológica, avaliação do risco de AVC (ex: escala ABCD2) e início de terapia antiplaquetária, frequentemente dupla antiagregação (aspirina e clopidogrel) em casos de alto risco.

Por que a TC normal não exclui um AIT?

A TC pode ser normal em um AIT porque a isquemia é transitória e não causa infarto cerebral detectável por este método de imagem. A ressonância magnética com difusão é mais sensível para detectar isquemia aguda, mas um AIT é definido pela ausência de infarto, independentemente do exame.

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