Diagnóstico de AIT: Interpretação de TC e Conduta Inicial

TECM Prática - Prova Prática de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Caso 1 Mulher 64 anos foi admitida no hospital há 12 horas com quadro de paresia de membro superior direito e dificuldade em pronunciar palavras. A admissão ao hospital deu-se 45 minutos após o início do quadro, sendo que os sintomas regrediram totalmente após 180 minutos da admissão hospitalar. Paciente previamente hipertensa e diabética há cinco anos. No seu prontuário está descrito objetivamente o déficit a admissão através do NIHSS (3 pontos), Pressão Arterial (150x90 mmHg) e Frequência cardíaca (91 bpm). No momento, exame físico sem déficits focais e ausculta cardíaca regular e sem alterações. Eletrocardiograma em ritmo sinusal e sem alterações. Tomografia de crânio sem contraste realizada e demonstrada abaixo. De acordo com o caso clínico e interpretando a imagem da tomografia é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) Deve ser repetida em 24 horas para iniciar conduta adequada.
  2. B) É uma Tomografia de crânio sem alterações.
  3. C) É uma Tomografia de crânio sugestiva de hemorragia subaracnóidea.
  4. D) É uma Tomografia de crânio com área sugestiva de isquemia aguda em região parietal direita. Caso 1

Pérola Clínica

Déficit neurológico focal com resolução < 24h e TC normal = Ataque Isquêmico Transitório (AIT).

Resumo-Chave

O AIT é uma emergência médica definida pela reversibilidade clínica dos sintomas, geralmente em menos de 1 hora, sem evidência de infarto agudo na neuroimagem inicial.

Contexto Educacional

O reconhecimento do Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é uma oportunidade crítica para a prevenção secundária do AVC. O caso clínico descreve uma paciente com fatores de risco (HAS, DM) e um déficit focal (paresia e disartria) que regrediu totalmente em 3 horas, com NIHSS baixo. A Tomografia de Crânio normal corrobora o diagnóstico de AIT, descartando hemorragia subaracnóidea ou intraparenquimatosa. A conduta imediata após a estabilização e imagem negativa envolve a estratificação de risco e a busca pela fonte embólica ou aterosclerótica. A agilidade no diagnóstico e tratamento reduz drasticamente a incidência de AVC incapacitante nos 90 dias subsequentes ao evento transitório.

Perguntas Frequentes

Qual a definição atual de Ataque Isquêmico Transitório (AIT)?

Atualmente, a definição de AIT é baseada em tecido (tissue-based) e não apenas em tempo. É um episódio transitório de disfunção neurológica causado por isquemia focal cerebral, medular ou retiniana, sem evidência de infarto agudo em exames de imagem (como a Ressonância Magnética com difusão). Embora classicamente se use o limite de 24 horas para a reversão dos sintomas, a maioria dos AITs dura menos de 1 hora. Se houver lesão permanente na imagem, o diagnóstico é AVC isquêmico, mesmo que os sintomas tenham regredido totalmente.

Por que a Tomografia de Crânio costuma ser normal no AIT?

A Tomografia Computadorizada (TC) sem contraste na fase aguda tem como principal objetivo excluir hemorragias intracranianas, tumores ou outras lesões estruturais que mimetizam o AVC. Como o AIT, por definição, não resulta em morte celular (infarto) visível macroscopicamente, a TC de crânio será normal. Mesmo em casos de AVC isquêmico estabelecido, a TC pode demorar de 12 a 24 horas para mostrar sinais de hipodensidade, tornando-a um exame de baixa sensibilidade para isquemia hiperaguda, mas essencial para segurança diagnóstica.

Qual a importância do escore ABCD2 após um AIT?

O escore ABCD2 (Idade, Pressão Arterial, Clínica, Duração e Diabetes) é uma ferramenta de estratificação de risco usada para prever a probabilidade de um paciente sofrer um AVC isquêmico nos dias seguintes a um AIT. Pacientes com escores elevados (≥ 4) têm alto risco e geralmente requerem internação hospitalar para investigação rápida (angiotomografia, ecocardiograma, monitorização de ritmo cardíaco) e início imediato de antiagregação plaquetária dupla ou anticoagulação, conforme a etiologia descoberta para evitar um evento definitivo.

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