Manejo do TIA e AVC Menor: Dupla Antiagregação Plaquetária

TECM Prática - Prova Prática de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Mulher 64 anos foi admitida no hospital há 12 horas com quadro de paresia de membro superior direito e dificuldade em pronunciar palavras. A admissão ao hospital deu-se 45 minutos após o início do quadro, sendo que os sintomas regrediram totalmente após 180 minutos da admissão hospitalar. Paciente previamente hipertensa e diabética há cinco anos. No seu prontuário está descrito objetivamente o déficit a admissão através do NIHSS (3 pontos), Pressão Arterial (150x90 mmHg) e Frequência cardíaca (91 bpm). No momento, exame físico sem déficits focais e ausculta cardíaca regular e sem alterações. Eletrocardiograma em ritmo sinusal e sem alterações. Tomografia de crânio sem contraste realizada e demonstrada abaixo. Sobre a terapêutica desse paciente, recomenda-se:

Alternativas

  1. A) O uso de aspirina 100 mg diariamente após 24 horas do início do quadro.
  2. B) A associação de aspirina 100 mg/dia e rivaroxabana 2,5 mg duas vezes ao dia, por ser a melhor opção para redução de novos eventos cerebrovasculares nesse cenário.
  3. C) O uso de dupla antiagregação plaquetária utilizando-se aspirina e clopidogrel por 21 dias, por mostrar-se efetiva na redução de desfechos nesse cenário.
  4. D) A utilização de aspirina em dose de ataque (160-300 mg) seguidos de 100 mg diariamente para manutenção por tempo indeterminado, por ser estratégia mais efetiva nesse cenário. Caso 2

Pérola Clínica

TIA de alto risco ou AVC menor (NIHSS ≤ 3) → DAPT (Aspirina + Clopidogrel) por 21 dias.

Resumo-Chave

A dupla antiagregação plaquetária (DAPT) reduz significativamente o risco de recorrência isquêmica precoce em pacientes com TIA de alto risco ou AVC isquêmico menor.

Contexto Educacional

O manejo do Ataque Isquêmico Transitório (AIT) e do AVC isquêmico menor evoluiu para uma abordagem agressiva na fase aguda. Pacientes com NIHSS baixo ou TIA de alto risco (frequentemente avaliado pelo escore ABCD2 ≥ 4) apresentam um risco elevado de um AVC incapacitante nas primeiras 48 horas a 7 dias. A estratégia de dupla antiagregação plaquetária com Aspirina e Clopidogrel, iniciada preferencialmente nas primeiras 24 horas do evento, demonstrou ser superior à monoterapia na redução de novos eventos isquêmicos, com um perfil de segurança aceitável quanto a riscos hemorrágicos quando limitada ao período de 21 dias.

Perguntas Frequentes

Qual o prazo recomendado para a dupla antiagregação no TIA?

A evidência atual (estudos CHANCE e POINT) sustenta o uso de DAPT (Aspirina + Clopidogrel) por 21 dias, seguido de monoterapia com antiagregante plaquetário.

O que caracteriza um AVC isquêmico menor?

É definido clinicamente por um déficit neurológico focal de origem isquêmica com pontuação na escala NIHSS menor ou igual a 3.

Por que não usar anticoagulantes orais como a Rivaroxabana neste caso?

A anticoagulação é indicada para prevenção de eventos cardioembólicos (ex: Fibrilação Atrial). No TIA não-cardioembólico, a antiagregação é a terapia de escolha.

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