AIT: Conduta e Prevenção de AVC Isquêmico

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 76 anos de idade, foi trazida à unidade de emergência por sua filha, após iniciar quadro de hemiparesia à esquerda e disartria há 3 horas. Ela relata que isto ocorreu durante o café da manhã e houve reversão espontânea dos sintomas após alguns minutos. No momento, está assintomática. Possui antecedente de hipertensão arterial sistêmica e diabetes tipo 2, com baixa adesão à terapia. Ao exame da admissão, apresentava pressão arterial de 150x100mmHg, frequência cardíaca de 76bpm, frequência respiratória de 14irpm e saturação de oxigênio 96% em ar ambiente. Sem outras alterações. A tomografia de crânio não apresentou alterações. A ressonância de crânio (com sequência DWI) realizada na sequência também não evidenciou lesões compatíveis com isquemia aguda. O eletrocardiograma da admissão apresentava ritmo sinusal, com sinais de sobrecarga ventricular esquerda. Sem evidência de trombos intracavitários no ecocardiograma transtorácico. Qual é a conduta que deve ser indicada?

Alternativas

  1. A) Começar anticoagulação plena com enoxaparina.
  2. B) Iniciar ácido acetilsalicílico e clopidogrel.
  3. C) Prescrever rivaroxabana dose baixa e clopidogrel.
  4. D) Indicar a realização de trombólise.

Pérola Clínica

AIT de alto risco (ABCD2 ≥ 4) ou confirmado por imagem → dupla antiagregação (AAS + Clopidogrel) por 21-90 dias.

Resumo-Chave

O paciente teve um AIT, que é um evento isquêmico cerebral com sintomas transitórios, sem infarto agudo na imagem. A conduta inicial para prevenção secundária de AVC, especialmente em pacientes com alto risco (como este, com HAS e DM), é a dupla antiagregação plaquetária com AAS e Clopidogrel.

Contexto Educacional

O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é um evento neurológico agudo que se manifesta com sintomas focais de isquemia cerebral, medular ou retiniana, com duração geralmente breve e resolução completa, sem evidência de infarto agudo em exames de imagem. Apesar da resolução dos sintomas, o AIT é um forte preditor de AVC isquêmico futuro, com risco aumentado nas primeiras horas e dias após o evento. A identificação e o manejo rápidos são cruciais para a prevenção secundária. O diagnóstico de AIT é clínico, mas a investigação por imagem (TC e RM de crânio, especialmente com sequências DWI) é fundamental para excluir AVC isquêmico estabelecido e identificar a etiologia. A ausência de lesões em DWI é compatível com AIT. A estratificação de risco, como o escore ABCD2, auxilia na decisão de internação e na urgência da investigação. Fatores de risco como hipertensão e diabetes, presentes no caso, aumentam a probabilidade de eventos vasculares. A conduta após um AIT visa a prevenção secundária do AVC. Para pacientes com AIT de alto risco ou AVC isquêmico menor, a terapia antiplaquetária dupla com ácido acetilsalicílico (AAS) e clopidogrel é recomendada por um período de 21 a 90 dias, seguida por monoterapia. O controle rigoroso dos fatores de risco, como hipertensão e diabetes, também é essencial. A trombólise é uma terapia de reperfusão para AVC isquêmico agudo em fase sintomática, não sendo indicada para AIT já resolvido.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza um Ataque Isquêmico Transitório (AIT)?

Um AIT é um episódio transitório de disfunção neurológica causada por isquemia focal cerebral, medular ou retiniana, sem infarto agudo. Os sintomas geralmente duram menos de 24 horas e se resolvem completamente.

Qual a importância do escore ABCD2 na avaliação do AIT?

O escore ABCD2 (Idade, Pressão Arterial, Características Clínicas, Duração dos sintomas, Diabetes) ajuda a estratificar o risco de AVC após um AIT. Pacientes com escore mais alto (≥4) têm maior risco e se beneficiam de investigação e tratamento urgentes.

Por que a dupla antiagregação é indicada no AIT?

A dupla antiagregação com AAS e Clopidogrel por um período limitado (21-90 dias) é recomendada para pacientes com AIT de alto risco ou AVC isquêmico menor, pois demonstrou reduzir o risco de AVC subsequente em comparação com a monoterapia.

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