Ataque Isquêmico Transitório: Protocolo de Imagem

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de sessenta e cinco anos de idade foi internado em uma unidade de emergência em virtude da apresentação súbita de desvio da comissura labial para a esquerda, paresia do membro superior direito e afasia. Após duas horas de internação do paciente, uma equipe da neurologia identificou o desaparecimento dos sintomas, entretanto foram encontradas manchas hipocrômicas localizadas difusamente no tronco e nas extremidades, que apresentavam baixa sensibilidade térmica.Com referência ao caso clínico acima apresentado, julgue o seguinte item.Exames de imagem do sistema nervoso central são desnecessários, pois o paciente deixou de apresentar sequelas neurológicas após duas horas de internação.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Déficit focal transitório → Investigação imediata com neuroimagem para excluir AVC e estratificar risco.

Resumo-Chave

Mesmo com a resolução completa dos sintomas (AIT), a neuroimagem é obrigatória para descartar hemorragias, infartos estabelecidos ou causas estruturais, além de guiar a prevenção secundária.

Contexto Educacional

O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é definido classicamente como um episódio de disfunção neurológica causado por isquemia focal cerebral, medular ou retiniana, sem infarto agudo evidenciado em exames de imagem. A prática moderna prioriza a definição baseada em tecido: se houver lesão na imagem, é AVC, independentemente da duração dos sintomas. A investigação deve ser célere, pois o AIT é um 'aviso' de que um AVC maior pode ocorrer em breve. No caso clínico, a presença de afasia e paresia braquial direita localiza a lesão no hemisfério esquerdo (território da artéria cerebral média). A investigação obrigatória inclui TC de crânio sem contraste para excluir sangue, seguida idealmente por RM e avaliação vascular (angio-TC, angio-RM ou Doppler de carótidas) e cardíaca. A negligência na investigação por conta da melhora clínica é um erro grave que impede a implementação de antiagregação plaquetária e controle de fatores de risco.

Perguntas Frequentes

Por que realizar exames de imagem se os sintomas do paciente desapareceram?

A resolução dos sintomas sugere um Ataque Isquêmico Transitório (AIT), mas não exclui a presença de lesões isquêmicas agudas (infartos silenciosos) ou outras patologias intracranianas. A neuroimagem, preferencialmente a Ressonância Magnética com difusão (DWI) ou a Tomografia Computadorizada, é essencial para confirmar a natureza isquêmica, descartar hemorragias e avaliar o risco iminente de um AVC estabelecido, que é maior nas primeiras 24-48 horas após um AIT.

Qual o papel da escala ABCD2 no manejo do AIT?

A escala ABCD2 (Idade, Pressão Arterial, Características Clínicas, Duração e Diabetes) é uma ferramenta de triagem clínica utilizada para prever o risco de AVC nos dias subsequentes a um AIT. Embora ajude na decisão de internação, ela não substitui a necessidade de exames de imagem e investigação etiológica (como avaliação de carótidas e fonte cardioembólica) para todos os pacientes com suspeita de evento isquêmico transitório.

Como as manchas hipocrômicas mencionadas influenciam o caso?

As manchas hipocrômicas com baixa sensibilidade térmica sugerem Hanseníase. Embora a Hanseníase cause neuropatia periférica, o quadro súbito de desvio de comissura, paresia e afasia é tipicamente central (vascular). As manchas servem como um achado de exame físico que indica uma comorbidade crônica, mas não explicam o evento neurológico agudo, reforçando a necessidade de focar na propedêutica de AVC/AIT.

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