UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020
Homem de 58 anos, diabético e hipertenso há 6 anos em uso de captopril, hidroclorotiazida e insulina, procura ambulatório de clínica médica geral de um hospital terciário por ter apresentado dois episódios de perda da força em braço e perna direitos com desvio da comissura bucal para a esquerda com duração de aproximadamente 40 minutos e reversão completa, no último mês (último há 5 dias). É tabagista de 25 maços/ano há 35 anos e nega elitismo. Pai hipertenso e mãe diabética, sem outros antecedentes mórbidos. Ao exame: eupneico, corado, hidratado, anictérico, acionótico, consciente e orientado. Aparelhos respiratórios e cardíaco normais. PA=132x88mmHg. FC=84bpm. Abdome normal. Exame neurológico completamente normal. A conduta para o caso é:
AIT recorrente com múltiplos fatores de risco → iniciar AAS, investigar fonte embólica (carótidas, coração) e controlar fatores de risco.
Episódios de déficit neurológico focal transitório (AIT) em paciente com múltiplos fatores de risco cardiovascular indicam alto risco de AVC. A conduta inclui antiagregação plaquetária imediata e investigação etiológica completa para prevenir um AVC iminente.
O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é definido como um episódio transitório de disfunção neurológica causada por isquemia focal cerebral, medular ou retiniana, sem infarto agudo. Embora os sintomas se resolvam completamente, o AIT é um sinal de alerta crítico, pois indica um alto risco de acidente vascular cerebral (AVC) iminente, especialmente nas primeiras horas e dias após o evento. Pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes e tabagismo, têm um risco ainda maior. A conduta para um paciente com AIT deve ser imediata e abrangente. Isso inclui a iniciação de antiagregação plaquetária, geralmente com ácido acetilsalicílico (AAS), para reduzir o risco de eventos trombóticos. Além disso, uma investigação etiológica completa é essencial para identificar a causa subjacente do AIT. Isso pode envolver ultrassonografia com Doppler de carótidas para avaliar estenoses, ecocardiograma para detectar fontes cardíacas de êmbolos (como fibrilação atrial ou forame oval patente) e monitorização cardíaca para arritmias. O manejo dos fatores de risco cardiovascular é um pilar fundamental da prevenção secundária. Isso inclui o controle rigoroso da pressão arterial, glicemia e dislipidemia, além da cessação do tabagismo. A estratificação do risco de AVC após um AIT pode ser feita com escores como o ABCD2, que considera idade, pressão arterial, características clínicas, duração dos sintomas e diabetes, auxiliando na decisão sobre a necessidade de internação e o grau de urgência da investigação.
Os principais fatores de risco incluem hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo, fibrilação atrial, doença arterial coronariana e história familiar de AVC.
A investigação etiológica (doppler de carótidas, ecocardiograma, monitorização cardíaca) é fundamental para identificar a fonte do êmbolo ou a causa da estenose, permitindo um tratamento direcionado para prevenir um AVC definitivo.
O ácido acetilsalicílico (AAS) é um antiagregante plaquetário que reduz o risco de eventos isquêmicos subsequentes, incluindo AVC, sendo a terapia inicial recomendada para a prevenção secundária após um AIT.
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