Manejo do AIT e AVC Menor: Protocolo de Antiagregação

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022

Enunciado

Homem, 61 anos, foi admitido no hospital há 12 horas com quadro de paresia de membro superior esquerdo e dificuldade em pronunciar palavras. A admissão no hospital deu-se 15 minutos após o início do quadro e os sintomas regrediram totalmente após 30min da admissão hospitalar. Foi realizada tomografia de crânio, que não mostrou alterações. Paciente previamente hipertenso e diabético há 5 anos. No seu prontuário está descrito objetivamente o déficit da entrada através do NIHSS (3 pontos), Pressão Arterial (145×83 mmHg) e Frequência cardíaca (89 bpm). No exame físico sem déficts focais e ausculta cardíaca regular e sem alterações. Sobre a terapêutica deste paciente, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) O uso de aspirina 100 mg diariamente é recomendado após 60 horas do início do quadro.
  2. B) A associação de aspirina e um anticoagulante oral direto, como a rivaroxabana, é a melhor opção para redução de desfechos cerebrovaculares neste caso.
  3. C) O uso de dupla antiagregação plaquetária utilizando-se aspirina e clopidogrel por 21 dias mostrou-se efetiva na redução de desfechos neste cenário.
  4. D) A estratégia mais efetiva neste cenário seria a utilização de aspirina em dose de ataque (160- 300 mg), seguida de 100 mg diariamente para manutenção por tempo indeterminado.

Pérola Clínica

AIT de alto risco ou AVC menor (NIHSS ≤ 3) → DAPT (Aspirina + Clopidogrel) por 21 dias.

Resumo-Chave

Em pacientes com AIT de alto risco ou AVC isquêmico menor, a dupla antiagregação plaquetária iniciada precocemente reduz significativamente o risco de AVC recorrente nos primeiros 90 dias.

Contexto Educacional

O manejo do Ataque Isquêmico Transitório (AIT) evoluiu com a demonstração de que o período de maior risco para um AVC estabelecido ocorre nas primeiras horas e dias após o evento sentinela. O paciente do caso apresenta um AIT de alto risco, caracterizado por déficit motor e duração significativa em um perfil de alto risco cardiovascular (idoso, hipertenso, diabético). Os estudos CHANCE e POINT estabeleceram que a combinação de Aspirina e Clopidogrel, iniciada precocemente, é superior à aspirina isolada para prevenir recorrências isquêmicas. A recomendação atual para pacientes com NIHSS ≤ 3 ou AIT de alto risco é a utilização de DAPT por 21 dias. O benefício na redução de novos eventos isquêmicos é máximo nesse intervalo inicial, enquanto o risco hemorrágico cumulativo da dupla terapia começa a superar o benefício clínico após esse período. É fundamental que a primeira dose (ataque) seja administrada o mais rápido possível após a exclusão de hemorragia por imagem. Após os 21 dias, a transição para monoterapia é a conduta padrão para equilibrar eficácia e segurança.

Perguntas Frequentes

Qual a indicação de DAPT no AIT?

A dupla antiagregação plaquetária (DAPT) com aspirina e clopidogrel é indicada para pacientes com AIT de alto risco (geralmente definido por um escore ABCD2 ≥ 4) ou AVC isquêmico menor (NIHSS ≤ 3), desde que iniciada nas primeiras 24 horas do evento e na ausência de contraindicações para sangramento.

Por quanto tempo manter Aspirina e Clopidogrel no AIT?

O período padrão validado pelos principais ensaios clínicos (CHANCE e POINT) é de 21 dias para a combinação. Após esse período, o paciente deve ser mantido em monoterapia com um antiagregante plaquetário (geralmente aspirina ou clopidogrel isolados) para prevenção secundária de longo prazo.

Por que não usar anticoagulação no AIT agudo sem FA?

Para eventos isquêmicos de etiologia aterotrombótica ou pequenos vasos, a anticoagulação não demonstrou superioridade em relação aos antiagregantes na fase aguda e está associada a um risco significativamente maior de transformação hemorrágica. A anticoagulação é reservada para etiologias cardioembólicas, como a fibrilação atrial.

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