IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020
Um paciente de 68 anos, hipertenso de longa data, tabagista por 50 anos e com diabetes mellitus diagnosticado há 20 anos, chega ao serviço de pronto atendimento com relato de que, ao ter iniciado atividade física com membro superior esquerdo, apresentou tonteira seguida por síncope e que não se recorda bem do que aconteceu. Os acompanhantes informaram que ele apresentou fala arrastada e desvio da comissura labial. Porém, após 6 horas de observação no serviço de pronto atendimento, todas as alterações já haviam se normalizado. Foram solicitados, à admissão, glicemia capilar, que revelou 86mg/dL; tomografia computadorizada do encéfalo, que se mostrou normal; duplex scan de carótidas e vertebrais, que revelou ateromatose carotídea bilateral com placas ulceradas, com inversão de fluxo sisto/diastólico, contínuo, em artéria vertebral esquerda. A artéria vertebral direita apresentava-se com fluxo ascendente, com velocidade normal. O diagnóstico mais provável para a situação clínica aguda apresentada pelo paciente é:
Sinais neurológicos focais transitórios (<24h) + fatores de risco + inversão de fluxo vertebral → Ataque Isquêmico Transitório (AIT).
O paciente apresenta fatores de risco importantes para doença cerebrovascular (HTN, tabagismo, DM), sintomas neurológicos focais (fala arrastada, desvio de comissura) que se resolveram em menos de 24 horas, e achados no duplex scan de inversão de fluxo na artéria vertebral esquerda, sugestivo de Síndrome do Roubo da Subclávia. Isso configura um Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que é um sinal de alerta para AVC.
O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é uma emergência neurológica que, embora reversível, indica um alto risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) iminente. A epidemiologia mostra que pacientes com fatores de risco como hipertensão, diabetes, tabagismo e dislipidemia são mais suscetíveis. O reconhecimento rápido e a investigação são cruciais para a prevenção secundária. A fisiopatologia do AIT envolve uma isquemia cerebral focal temporária, geralmente causada por um trombo ou êmbolo que obstrui transitoriamente um vaso sanguíneo cerebral. A Síndrome do Roubo da Subclávia é uma causa específica de AIT vertebrobasilar, onde a estenose da artéria subclávia leva ao fluxo retrógrado na artéria vertebral. O diagnóstico é clínico, baseado na resolução completa dos sintomas, e complementado por exames de imagem (TC/RM de encéfalo para excluir AVC, duplex scan de carótidas e vertebrais para identificar estenoses). A conduta inicial após um AIT inclui a internação para investigação etiológica e estratificação de risco (escala ABCD2), além do início de medidas de prevenção secundária. Isso pode envolver antiagregantes plaquetários, estatinas, controle rigoroso da pressão arterial e glicemia, e, em casos selecionados, endarterectomia carotídea ou angioplastia. Residentes devem estar aptos a manejar o AIT como uma urgência médica.
Os sintomas de um AIT são semelhantes aos de um AVC, mas se resolvem completamente em menos de 24 horas. Podem incluir fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender a fala, perda de visão em um olho, tontura ou desequilíbrio, e desvio da comissura labial.
A Síndrome do Roubo da Subclávia ocorre devido a uma estenose ou oclusão na artéria subclávia proximal à origem da artéria vertebral. Isso causa uma inversão do fluxo sanguíneo na artéria vertebral ipsilateral, 'roubando' sangue do sistema vertebrobasilar para suprir o membro superior, podendo levar a sintomas de isquemia cerebral posterior, como tontura e síncope, especialmente com atividade do braço.
O AIT é um forte preditor de AVC futuro, com risco elevado nas primeiras horas e dias. O diagnóstico exige investigação urgente para identificar a causa (ex: aterosclerose carotídea, fibrilação atrial) e iniciar medidas preventivas secundárias, como antiagregantes plaquetários, controle rigoroso de fatores de risco e, se indicado, revascularização.
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