HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021
Homem, 67 anos, procura atendimento após segundo episódio de perda de força em membro superior e inferior direito com recuperação total. Nega alteração em expressão de face, fala e sensibilidade. No exame físico, apresenta-se hipertenso, sem detecção de hipotensão postural, ritmo cardíaco irregular, força preservada em membros superiores e inferiores. Qual hipótese diagnóstica mais provável a ser considerada nesse caso?
Perda de força focal transitória com recuperação total e fatores de risco vasculares (HAS, ritmo irregular) → AIT.
O paciente apresenta episódios de perda de força focal (membro superior e inferior direito) com recuperação total, o que é a definição clássica de Ataque Isquêmico Transitório (AIT). A presença de hipertensão e ritmo cardíaco irregular (sugestivo de fibrilação atrial) são importantes fatores de risco para eventos cerebrovasculares isquêmicos, reforçando a hipótese de AIT. A recuperação completa dos sintomas diferencia o AIT de um Acidente Vascular Isquêmico (AVC).
O Ataque Isquêmico Transitório (AIT) é definido como um episódio transitório de disfunção neurológica causada por isquemia focal cerebral, medular ou retiniana, sem infarto agudo. É um evento de grande importância clínica, pois, embora os sintomas se resolvam completamente, o AIT é um forte preditor de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) iminente, com risco aumentado nas primeiras horas e dias após o evento. A epidemiologia mostra que a incidência de AIT aumenta com a idade e está fortemente associada a fatores de risco cardiovasculares. A fisiopatologia do AIT envolve uma interrupção temporária do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro, geralmente devido a um trombo ou êmbolo que se dissolve rapidamente. O diagnóstico é clínico, baseado na história de sintomas neurológicos focais de início súbito e recuperação completa. A presença de fatores de risco como hipertensão arterial e ritmo cardíaco irregular (sugestivo de fibrilação atrial) reforça a suspeita de etiologia isquêmica. A investigação diagnóstica deve ser urgente e incluir exames de imagem cerebral (TC ou RM), ultrassom de carótidas, ecocardiograma e monitorização cardíaca para identificar a causa subjacente. O manejo do AIT é uma emergência médica, visando a prevenção secundária do AVC. Isso inclui o controle rigoroso dos fatores de risco (anti-hipertensivos, hipoglicemiantes, estatinas), terapia antiplaquetária (aspirina, clopidogrel) e, em casos de fibrilação atrial, anticoagulação oral. Em alguns casos, pode ser indicada endarterectomia carotídea ou angioplastia com stent. A rápida identificação e tratamento do AIT são cruciais para reduzir significativamente o risco de um AVC subsequente e melhorar o prognóstico do paciente.
Os sintomas de um AIT são neurológicos focais e de início súbito, como perda de força ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou entender, perda de visão em um olho, ou tontura e desequilíbrio. A característica distintiva é a recuperação completa dos sintomas em menos de 24 horas, geralmente em minutos.
A principal diferença é a duração e a reversibilidade dos sintomas. No AIT, os sintomas neurológicos são transitórios e se resolvem completamente sem evidência de infarto cerebral em exames de imagem. No AVC isquêmico, os sintomas são persistentes e há dano tecidual cerebral detectável.
Fatores de risco importantes incluem hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, tabagismo, fibrilação atrial, doença arterial coronariana e história familiar de AVC. O controle desses fatores é crucial para a prevenção primária e secundária de eventos cerebrovasculares.
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