CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Paciente apresenta refração de -1.00 DE -3.00 DC a 180º, ceratometria 44.00/44.00. Qual a melhor lente intraocular para correção do astigmatismo do paciente?
Ceratometria esférica + astigmatismo refracional = astigmatismo lenticular → LIO não tórica.
Lentes intraoculares tóricas corrigem o astigmatismo corneano. Se a ceratometria é 44.00/44.00, a córnea é esférica; o astigmatismo refracional é interno (lenticular) e será removido com o cristalino.
Na prática oftalmológica, o planejamento da cirurgia de catarata exige uma análise rigorosa da biometria. O astigmatismo total do olho é composto pela face anterior e posterior da córnea, além do componente lenticular. Ao realizar a facoemulsificação, o cirurgião remove o componente lenticular. Portanto, a correção intraocular deve focar exclusivamente no astigmatismo corneano residual. Casos com ceratometria esférica e astigmatismo refracional alto são clássicos de astigmatismo lenticular, comuns em cataratas nucleares ou subcapsulares, onde a LIO de escolha deve ser monofocal ou multifocal não tórica.
A indicação principal é a presença de astigmatismo corneano regular e significativo, geralmente acima de 0.75D a 1.00D, medido por ceratometria, topografia ou tomografia de córnea. O astigmatismo refracional total do paciente não deve ser o único guia, pois ele inclui o astigmatismo lenticular (do cristalino), que será eliminado durante a facoemulsificação. Se a córnea for esférica (ceratometria igual nos dois meridianos), uma LIO tórica induziria um astigmatismo iatrogênico pós-operatório.
A diferenciação é feita comparando a refração subjetiva (astigmatismo total) com a ceratometria ou topografia (astigmatismo corneano). Pela regra de Javal, o astigmatismo total é a soma vetorial do corneano e do lenticular. No caso clínico apresentado, a ceratometria de 44.00/44.00 indica uma córnea perfeitamente esférica. Portanto, todo o astigmatismo de -3.00 DC medido na refração é de origem interna/lenticular.
Se uma LIO tórica for implantada em um olho com córnea esférica, ela introduzirá um astigmatismo que não existia previamente na superfície ocular. Após a remoção do cristalino (que era a fonte do astigmatismo original), o paciente passará a ter um astigmatismo residual equivalente ao poder da lente tórica implantada, resultando em baixa acuidade visual e necessidade de correção com óculos ou nova intervenção cirúrgica.
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