SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2019
Os cuidados pré-natais envolvem visitas periódicas da gestante aos serviços de saúde. Os custos dessas visitas e a baixa adesão dificultam a adoção criteriosa de um número padrão de visitas pré-natais como política de cuidados. Um grupo de pesquisadores resolveu comparar a redução do número de visitas pré-natais, em mulheres sem fatores de risco, com o número habitualmente considerado quanto aos desfechos desfavoráveis. Encontrou os resultados expressos na imagem a seguir, na comparação entre a agenda reduzida de visitas versus a agenda tradicional, quanto à mortalidade perinatal.Considerando as informações, tendo em vista os resultados observados na tabela, indique se o número de consultas deve ser reduzido, com base nos critérios de Oxford.
Baixo risco: Agenda reduzida vs tradicional → Sem diferença na mortalidade perinatal (Oxford 1a).
Estudos de alta evidência indicam que, para gestantes de baixo risco, reduzir o número de consultas não aumenta a mortalidade perinatal, embora a satisfação materna possa ser menor.
A organização da assistência pré-natal visa garantir a saúde materna e fetal através da detecção precoce de riscos. Tradicionalmente, preconizava-se um número elevado de consultas, seguindo um cronograma mensal, quinzenal e semanal. Contudo, a Medicina Baseada em Evidências questionou essa prática para gestações de baixo risco, buscando identificar o 'pacote mínimo' necessário para garantir segurança. Os resultados apontam que a qualidade das intervenções realizadas durante as consultas é mais determinante para o desfecho do que a quantidade absoluta de encontros. No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda no mínimo 6 consultas, enquanto a OMS atualizou sua recomendação para pelo menos 8 contatos. A discussão central reside em otimizar o acesso e a adesão, garantindo que cada visita cumpra protocolos rigorosos de triagem e prevenção.
Revisões sistemáticas, incluindo metanálises da Cochrane, demonstram que em países de renda média e alta, modelos de pré-natal com um número reduzido de visitas (geralmente em torno de 8 consultas para nulíparas) não resultam em aumento de desfechos adversos como mortalidade perinatal, pré-eclâmpsia ou baixo peso ao nascer, quando comparados a modelos tradicionais com mais de 12 visitas. No entanto, em países de baixa renda, a redução excessiva pode estar associada a um aumento na mortalidade perinatal, sugerindo que a infraestrutura e a qualidade de cada consulta são variáveis cruciais.
De acordo com o Oxford Centre for Evidence-Based Medicine, evidências provenientes de revisões sistemáticas de ensaios clínicos controlados e randomizados são classificadas como Nível 1a. No contexto da agenda de consultas pré-natal, a conclusão de que a redução do número de visitas em gestantes de baixo risco não altera a mortalidade perinatal goza de alto nível de evidência e grau de recomendação A, fundamentando políticas de saúde que buscam otimizar recursos sem comprometer a segurança do binômio.
Embora os desfechos biológicos e clínicos (mortalidade, morbidade) não apresentem diferenças significativas em modelos de baixo risco, estudos qualitativos indicam que muitas mulheres sentem-se menos satisfeitas e mais ansiosas com intervalos maiores entre as consultas. A percepção de cuidado e o suporte emocional são componentes fundamentais do pré-natal. Portanto, a decisão de reduzir o número de consultas deve equilibrar a eficiência do sistema de saúde com a necessidade de acolhimento e educação em saúde da gestante.
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