Pré-natal: Exames Essenciais e Vacinação da Gestante

UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Considere uma família acompanhada em uma Unidade de Estratégia de Saúde da Família. Aline, 24 anos, grávida do segundo filho, está com 14 semanas de gestação. Jonathan, seu marido, tem 28 anos e está desempregado. Mora com eles o primeiro filho, Miguel, de três anos e o pai de Aline, Adilson, que tem 59 anos e é diabético tipo 2. A casa tem apenas um quarto e fica dentro de uma comunidade. Miguel é saudável e está com a vacinação em dia. Em abril de 2019, Aline inicia o pré-natal. No seu cartão vacinal constam três doses de vacina para hepatite B na adolescência, uma dose de triviral aos quatro anos e uma de dupla viral em 2008 (campanha) e reforço da dT na gravidez anterior. Em relação aos exames fundamentais e à necessidade de vacinas, pode-se programar para Aline:

Alternativas

  1. A) teste treponêmico, anti-HIV, HBsAg e sorologia para toxoplasmose/vacina dTpa + duasdoses dT.
  2. B) sorologia VDRL, HIV, CMV, toxoplasmose e rubéola/sem necessidade de reforço dT.
  3. C) teste treponêmico, anti-HIV, HBsAg e sorologia para toxoplasmose/vacina contra hepatite B.
  4. D) teste treponêmico, anti-HIV, HBsAg e sorologia para toxoplasmose/vacina dTpa.
  5. E) sorologia VDRL, HIV, toxoplasmose e anti- HBs/sem necessidade de reforço dT.

Pérola Clínica

dTpa é obrigatória em TODA gestação (após 20 sem) para proteção neonatal contra coqueluche.

Resumo-Chave

O rastreio infeccioso inicial inclui HIV, Sífilis, HBsAg e Toxoplasmose. A vacina dTpa deve ser aplicada a partir da 20ª semana, independentemente do histórico vacinal prévio.

Contexto Educacional

O acompanhamento pré-natal de qualidade é o pilar para a redução da morbimortalidade materna e perinatal. A identificação precoce de infecções como sífilis e HIV permite intervenções que reduzem drasticamente a transmissão vertical. No âmbito da imunização, a introdução da dTpa no calendário da gestante foi uma estratégia crucial para combater o aumento de casos de coqueluche em lactentes jovens. Além disso, a avaliação do status para Hepatite B e Toxoplasmose direciona condutas profiláticas e orientações comportamentais. O conhecimento dos protocolos vigentes do Ministério da Saúde é essencial para o médico generalista e para o obstetra, garantindo que nenhuma oportunidade de prevenção seja perdida durante as consultas de rotina.

Perguntas Frequentes

Quais os exames de rotina no primeiro trimestre?

No primeiro trimestre (ou na primeira consulta), devem ser solicitados: Hemograma, Tipagem sanguínea e fator Rh (com Coombs indireto se Rh negativo), Glicemia de jejum, Urina tipo 1 e urocultura, sorologias para HIV, Sífilis (VDRL ou teste rápido), Hepatite B (HBsAg) e Toxoplasmose (IgG e IgM). Em algumas regiões, adiciona-se sorologia para Chagas e HTLV, conforme protocolos locais.

Quando indicar a vacina dTpa na gestação?

A vacina dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) deve ser administrada em todas as gestantes a partir da 20ª semana de gestação, preferencialmente até a 36ª semana. O objetivo principal é a transferência transplacentária de anticorpos contra a coqueluche para proteger o recém-nascido nos primeiros meses de vida, antes que ele complete seu próprio esquema vacinal.

Como proceder se a gestante tem esquema vacinal incompleto?

Se a gestante não possui esquema vacinal prévio para tétano/difteria, deve-se completar o esquema de 3 doses (usando dT e uma dose de dTpa). Se ela já possui o esquema completo mas a última dose foi há mais de 5 anos, faz-se um reforço com dTpa. Se o esquema está completo e o reforço tem menos de 5 anos, ainda assim a dose de dTpa é obrigatória nesta gestação para proteção do feto.

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