Assistência Pré-natal: Datação e Exames Essenciais

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

A assistência pré-natal é uma “estratégia interdisciplinar de atendimento profissional que otimiza o alcance e a manutenção da integridade das condições de saúde materna e fetal “(Maternidade Escola UFRJ 2015). Sobre essa assistência do período gestacional, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) A consulta de primeiro trimestre é a melhor fase para datação correta ultrassonográfica da gestação, podendo até ouvir batimento cardíaco fetal ao sonar no final deste trimestre.
  2. B) Entre 16 e 18 semanas, é indicada a avaliação da morfologia fetal, do comprimento do colo uterino e doppler da artéria umbilical.
  3. C) Entre 32 e 34 semanas, é indicada a administração da primeira dose imunoglobulina anti-D para gestantes RH negativo.
  4. D) O teste de tolerância oral à glicose de 75gr deve ser realizado somente em pacientes de risco, como as pacientes já submetidas a cirurgias bariátricas (pós-bariátricas).

Pérola Clínica

USG de 1º trimestre (CCN) = Método mais fidedigno para datação da idade gestacional e cálculo da DPP.

Resumo-Chave

A ultrassonografia precoce é o padrão-ouro para datação gestacional. O rastreio de GDM e a profilaxia Rh seguem cronogramas específicos no segundo e terceiro trimestres.

Contexto Educacional

A assistência pré-natal de qualidade fundamenta-se na detecção precoce de riscos e no acompanhamento rigoroso do desenvolvimento fetal. A ultrassonografia de primeiro trimestre, além da datação, permite diagnosticar gestações múltiplas e avaliar marcadores de aneuploidias (como a translucência nucal entre 11 e 13 semanas e 6 dias). O sonar Doppler permite a ausculta dos batimentos cardiofetais (BCF) a partir de 10-12 semanas, enquanto o estetoscópio de Pinard costuma detectá-los apenas após a 20ª semana. O exame morfológico de segundo trimestre (20-24 semanas) é o momento ideal para o rastreio de malformações e medição do colo uterino para predição de parto pré-termo. O Doppler de artéria umbilical é reservado para vigilância de gestações com restrição de crescimento ou pré-eclâmpsia, não sendo rotina no pré-natal de baixo risco.

Perguntas Frequentes

Por que a USG de primeiro trimestre é a melhor para datação?

No primeiro trimestre, especialmente entre a 7ª e a 12ª semana, a variabilidade biológica do crescimento embrionário é mínima. A medida do Comprimento Cabeça-Nádega (CCN) possui uma margem de erro de apenas 3 a 5 dias, sendo superior à Data da Última Menstruação (DUM) e às ultrassonografias realizadas mais tardiamente na gestação.

Quando realizar o rastreio de Diabetes Mellitus Gestacional (GDM)?

O rastreio universal é recomendado entre 24 e 28 semanas de gestação através do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG) com 75g de glicose. Pacientes com glicemia de jejum alterada no primeiro trimestre (≥ 92 mg/dL) já podem ser diagnosticadas precocemente, sem necessidade do TOTG posterior.

Qual a indicação da imunoglobulina anti-D no pré-natal?

A imunoglobulina anti-D deve ser administrada a gestantes Rh negativo, com parceiro Rh positivo (ou desconhecido), que não estejam sensibilizadas (Coombs indireto negativo). A recomendação padrão é uma dose profilática em torno da 28ª semana de gestação e/ou em situações de risco de hemorragia feto-materna (abortamento, biópsia de vilo corial, trauma abdominal).

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