SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Acerca da condução do período expulsivo em partos cefálicos de baixo risco, assinale a alternativa que corresponde à correta intervenção nesse caso:
Período expulsivo → Puxos espontâneos + Proteção perineal; Manobra de Kristeller é proscrita.
A condução do segundo estágio do parto deve priorizar a fisiologia, utilizando puxos espontâneos e proteção perineal, evitando intervenções rotineiras ou traumáticas.
O período expulsivo (segundo estágio do trabalho de parto) inicia-se com a dilatação total do colo uterino e termina com o nascimento do bebê. A assistência moderna ao parto cefálico de baixo risco baseia-se na 'humanização' e na medicina baseada em evidências, que preconizam o mínimo de intervenções necessárias. As recomendações atuais incluem permitir que a mulher escolha a posição de parto (verticalizadas costumam ser mais favoráveis), incentivar puxos espontâneos e realizar a proteção perineal para reduzir o trauma. O respeito ao tempo fisiológico, desde que o bem-estar fetal esteja garantido, é essencial para evitar intervenções desnecessárias que aumentam a morbidade materna. A abolição de práticas como a manobra de Kristeller e a redução drástica das taxas de episiotomia são indicadores de qualidade na assistência obstétrica contemporânea.
Puxos espontâneos são aqueles realizados pela parturiente apenas quando ela sente o reflexo involuntário de expulsão (reflexo de Ferguson), geralmente de curta duração e com a glote aberta. Já os puxos dirigidos (manobra de Valsalva) são orientados pela equipe de saúde, pedindo que a mulher prenda a respiração e faça força prolongada. Evidências mostram que puxos espontâneos resultam em melhores desfechos neonatais, menor fadiga materna e menor risco de danos ao assoalho pélvico.
A manobra de Kristeller consiste na aplicação de pressão forte no fundo do útero durante o período expulsivo. Ela é considerada uma prática obsoleta e perigosa, associada a riscos graves como ruptura uterina, descolamento prematuro de placenta, lacerações perineais de alto grau (3º e 4º graus), além de traumas fetais como fraturas e lesões de plexo braquial. As principais diretrizes nacionais e internacionais (OMS, MS) proíbem sua realização.
A episiotomia não deve ser realizada de forma sistemática ou rotineira. Ela deve ser um procedimento seletivo, indicado apenas em situações específicas onde há risco iminente de laceração perineal grave ou necessidade de abreviar o parto por sofrimento fetal agudo. A prática rotineira não previne lacerações graves e está associada a maior dor no pós-parto, infecções e dispareunia, devendo-se preferir técnicas de proteção perineal ('hands-on' ou 'hands-poised').
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